AS QUATRO VARIÁVEIS PARA VENDAS DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO

Essa é a imagem mais desejada para 2021, pois com ela, além da preservação da vida das pessoas, aumentam as perspectivas de recuperação econômica, preservando, também, empregos, renda e confiança em dias melhores.

E, justamente, essas três variáveis são aquelas que mais impactarão o consumo de materiais de construção nos próximos meses, principalmente considerando a descontinuidade do Auxílio Emergencial, que injetou, aproximadamente, R$322 bilhões na economia, distribuídos para, aproximadamente, 66 milhões de pessoas.

Essa medida de proteção social foi, em grande parte, responsável pelo crescimento do consumo de materiais de construção, móveis, eletrodomésticos e itens para o lar, que conjugada à precariedade das habitações e suas instalações na população de menor poder aquisitivo, alavancou as vendas do varejo desses segmentos.

Porém, qual o atual cenário das variáveis emprego, renda e confiança?

Nos dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), o contingente de pessoas ocupadas formal ou informalmente, no trimestre agosto/setembro/outubro de 2020 era de 84.301 milhões de pessoas, ante 94.055 milhões de pessoas, no mesmo trimestre do ano anterior, logo, uma redução de 9.754 milhões de pessoas trabalhando.

Porém, ao compararmos o trimestre agosto/setembro/outubro de 2020 com o trimestre anterior, maio/junho/julho de 2020, cujo contingente estava em 82.027 milhões de pessoas ocupadas, houve um crescimento de 2.274 milhões de pessoas trabalhando.

Em outras palavras, embora o número de pessoas trabalhando esteja significativamente abaixo do mesmo período do ano anterior, o mercado de trabalho formal e informal está reagindo positivamente nos últimos meses.

Agora, para efeito de mensuração da perda de renda das pessoas na economia – e consumo –, vamos analisar o comportamento da massa salarial real de todos os trabalhos. Ainda, segundo a PNAD Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no trimestre agosto/setembro/outubro de 2020 a massa salarial era de R$207,859 bilhões, ante R$219,580 bilhões, no mesmo trimestre do ano anterior, logo, uma redução de R$11,721 bilhões.

Porém, ao compararmos o trimestre agosto/setembro/outubro de 2020 com o trimestre anterior, maio/junho/julho de 2020, cuja massa salarial estava em R$205,623 bilhões, houve crescimento de R$2,236 bilhões.

Alinhada com o contingente de pessoas trabalhando, embora a massa salarial real esteja significativamente abaixo do mesmo período do ano anterior, também está reagindo positivamente. Independentemente dessa recuperação, em todos os momentos de 2020, o Auxílio Emergencial superou essas perdas, alavancando o consumo.

Por fim, segundo o Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) e Fundação Getúlio Vargas (FGV), a confiança dos consumidores, que cresceu de abril – quando atingiu seu nível histórico mais baixo – a setembro, iniciou uma série de três meses de decréscimo, a partir de outubro, até fechar o mês de dezembro em 78,5 pontos, ainda assim, 20,3 pontos acima de abril, porém, 13,1 pontos abaixo do mesmo mês do ano anterior.

Segundo as próprias fontes dos dados, tal comportamento evidencia preocupações com a descontinuidade do Auxílio Emergencial, segunda onda da pandemia, e, consequente piora do quadro econômico, com perda de emprego e renda por parte dos consumidores.

Com isso, é possível constatar que há uma relação direta entre nível de confiança e poder aquisitivo dos consumidores: na faixa de renda até R$2.100,00, estava em 66,3 pontos; na faixa de renda entre R$2.100,01 a R$4.800,00, em 74,7 pontos; na faixa de renda entre R$4.800,01 a R$9.600,00, em 85,7 pontos, e, na faixa de renda acima de R$9.600,00, em 87,8 pontos.

Assim como em 2020 adicionou-se à conjuntura trabalho, renda e confiança, o Auxílio Emergencial, em 2021, deverá ser adicionado o fator vacinação da população, que poderá evitar novas medidas econômicas restritivas, reabrindo a economia, e, na totalidade, o setor de serviços, responsável por aproximadamente 67% dos empregos no Brasil, inclusive, com grande capacidade de absorver pessoas menos qualificadas; as mais expostas e preocupadas na atual crise.

Naturalmente, com isso, a confiança no futuro voltará a crescer em todas as faixas de renda, retroalimentando um círculo virtuoso que impactará diretamente o consumo, incluindo materiais de construção.


A Fundação de Dados é um sistema de inteligência de mercado especializado no consumo de materiais de construção, móveis e itens para o lar, que realiza pesquisas e estudos próprios, multiclientes e customizados.

Newton Guimarães

Head
newton@fundacaodedados.com.br

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