O VIGOR DAS INDÚSTRIAS DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial geral brasileira decresceu 4,5%, no comparativo ano de 2020 com ano de 2019. Assim, se considerarmos a partir da crise anterior, engendrada em 2014, a queda acumulada nos últimos sete anos foi de 18,8%.

Tal desempenho poderia até ser chamado de desindustrialização do País.

Mas, e as indústrias de materiais de construção? Passam por processo semelhante?

Recorremos agora, à Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT), que estimou um decréscimo de apenas 0,4% (dados ainda sujeitos a revisões e ajustes), no faturamento deflacionado das indústrias do segmento, no comparativo ano de 2020 com ano de 2019. Assim também, de 2014 a 2020, a queda acumulada nos últimos sete anos foi de 19,8%.

Porém, por serem dados deflacionados, pode-se até considerar a perspectiva de crescimento nominal no período analisado. Infelizmente, não há dados disponíveis para dimensionar com precisão essa hipótese.

Em 2020, o bom desempenho das indústrias do segmento num ano tão conturbado, advém das vendas do comércio de materiais de construção, cujos dados serão fechados oficialmente pelo IBGE no dia 10, mas que deverão apontar para um crescimento real de aproximadamente 11%.

Também advém da continuidade das construções de imóveis residenciais novos, mesmo durante a pandemia, consequência do desempenho notável dos lançamentos no ano de 2019 comparado com o ano de 2018, com crescimento de 33,5%, no número de unidades residenciais novas lançadas, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Ou seja, de certa maneira, em relação às obras atuais, o mercado vivencia uma realidade pré-pandemia.

Por fim, surpreendentemente, talvez devido às eleições municipais, as obras de infraestrutura não decepcionaram. Porém, na ausência de dados precisos e diretos, vale observar os dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (CAGED), que indicou um saldo (diferença entre admissões e demissões) positivo, em 2020, de 47.357 trabalhadores formais no segmento Obras de infraestrutura.

Apenas para dimensionarmos melhor o que isso significa, o saldo total da atividade Construção no ano, foi de 112.174 trabalhadores formais (celetistas), completado por 27.248 trabalhadores no segmento Construção de edifícios (lembrem-se dos dados dos lançamentos acima), e, 37.569 trabalhadores no segmento Serviços especializados para a construção, que, justamente, atende os outros dois segmentos anteriores: Obras de infraestrutura e Construção de edifícios.

Por fim, para 2021, a Abramat estima um crescimento de 4%, no faturamento deflacionado das indústrias de materiais de construção.

Nada mal, considerando o período pelo qual passamos, e, em especial, pelo qual passam as indústrias brasileiras.


A Fundação de Dados é um sistema de inteligência de mercado especializado no consumo de materiais de construção, móveis e itens para o lar, que realiza pesquisas e estudos próprios, multiclientes e customizados.

Newton Guimarães

Head
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