MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO 2020: COLAPSO E VENDAS HISTÓRICAS

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fechou os dados do comércio em 2020, inclusive da área de atividade Material de Construção (varejo e atacado), fornecendo informações para começarmos a entender como, de fato, se comportaram as vendas nesse ano atípico.

Vamos dar números, sempre em termos reais (volume de vendas/nominal deflacionado), para duas leituras: 1) como as vendas se comportaram nos dois primeiros meses da pandemia (março e abril), e, 2) como as vendas evoluíram após o espalhamento do auxílio emergencial na economia (maio a dezembro); utilizando dados do Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA).

Na primeira situação, em março, as vendas de materiais de construção decresceram, em termos reais (sem inflação), 7,5%, e, em abril, decresceram 21,1%, nos comparativos com os respectivos mesmos meses do ano anterior.

Já, no acumulado dos comparativos dos meses abril com março de 2020, e, março com fevereiro de 2020, a queda acumulada das vendas foi de 18,4%.

Porém, mesmo com o nível de emprego, renda e confiança despencando, o auxílio emergencial começou a se fazer notar na economia, em especial, para consumidores de menor poder aquisitivo em seus lares precários e inacabados.

Assim, em maio, as vendas de materiais de construção ainda ficaram negativas em relação a maio de 2019, em 5,2%, porém, em junho, cresceram incríveis 22,6%, em relação a junho de 2019, atingindo um pico de 31,4%, no comparativo setembro de 2020 com setembro de 2019. No dado mais recente dessa mesma base comparativa, dezembro de 2020 com dezembro de 2019, o crescimento foi de 18,8%.

Já, no comparativo de maio com abril de 2020, as vendas reagiram e cresceram 22,8%, nas primeiras sinalizações contundentes das medidas anticíclicas para proteção social – cujo maior expoente foi o auxílio emergencial -, e para preservação do emprego e renda.

Ao final, no acumulado dos comparativos meses anteriores de maio a dezembro de 2020, o comércio de materiais de construção cresceu impressionantes 43%, principalmente pelos desempenhos de maio a setembro, já que nos últimos três meses do ano ocorreram três decréscimos consecutivos: outubro comparado com setembro, -3,2%; novembro comparado com outubro, -2,2%, e, dezembro comparado com novembro, -1,8%.

Tal comportamento é resultado do efeito base, alavancada no auge da distribuição de recursos financeiros para aproximadamente 66 milhões de brasileiros.

Com isso e por fim, o comércio brasileiro cresceu 10,8%, no comparativo ano de 2020 com ano de 2019, melhor desempenho real desde o ano de 2010, quando houve crescimento de 15,7%.

A guerra contra as consequências econômicas da pandemia ainda não foi vencida, pois ainda estamos no meio de uma batalha, cujo front indica continuidade, num nível significativamente mais baixo, de um auxílio financeiro para a população de menor poder aquisitivo, num cenário de desemprego alto e quedas da renda e confiança dos consumidores.

Porém, os negócios do segmento da construção e reforma continuam fortes, e com a aceleração da imunização da população brasileira, haverá, em 2021, muitas batalhas a vencer, mês após mês.


A Fundação de Dados é um sistema de inteligência de mercado especializado no consumo de materiais de construção, móveis e itens para o lar, que realiza pesquisas e estudos próprios, multiclientes e customizados.

Newton Guimarães

Head
newton@fundacaodedados.com.br

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