CONFIANÇA COMO PROPULSORA DE OBRAS RESIDENCIAIS

Sob condições normais e sem as distorções de um auxílio emergencial, o consumo de materiais de construção está sujeito ao tripé emprego, renda e confiança, que pode ser maximizado ou minimizado, de acordo com a eficiência de cada operação.

Vamos nos ater, agora, apenas à confiança.

Na Pesquisa 1 | 2020, que entrevistou em maio, 1.020 consumidores que haviam realizado obras/reformas residenciais no último ano, 37% dos entrevistados acreditavam que sua situação financeira estaria muito melhor ou melhor nos próximos seis meses, e, 27,9%, estaria muito pior ou pior.

Na seguinte, Pesquisa 2 | 2020, que entrevistou em novembro, 1.038 consumidores que tinham intenção de realizar obras/reformas residenciais no próximo ano, 45,2% dos entrevistados acreditavam que sua situação financeira estaria muito melhor ou melhor nos próximos seis meses, e, 18,1%, estaria muito pior ou pior.

Um ponto que deve ser contemplado para essa melhora de perspectiva de um semestre para o outro: em maio, as incertezas em relação à pandemia previam cenários mais dramáticos do que em novembro, quando vivenciávamos um ilusório (hoje sabemos) controle da disseminação da doença.

Por outro lado, independentemente disso, é fato que o segundo perfil de entrevistados se sentia significativamente mais confiante do que o primeiro, o que condizia com o filtro “intenção de realizar obras/reformas residenciais”.

Uma confiança mais alta faz sentido nesse filtro, reforçando a relação confiança/obras residenciais.

Agora, para uma fotografia mais precisa do atual momento, o que nos diz o mais recente Índice de Confiança do Consumidor (ICC) de fevereiro?

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), o ICC está em 78 pontos, ou, 9,8 pontos abaixo de fevereiro de 2020.

Nos recortes, na faixa de renda familiar até R$2.100,00, está em 75,2 pontos; na faixa de renda entre R$2.100,01 e R$4.800,00, em 73,9 pontos; na faixa de renda entre R$4.800,01 e R$9.600,00, em 83,1 pontos, e, por fim, na faixa de renda acima de R$9.600,00, em 85,5 pontos, a mais confiante de todas.

Com isso, podemos levantar a hipótese de que a faixa de renda familiar menos confiante, entre R$2.100,01 e R$4.800,00, vislumbra um futuro com o avanço da pandemia, sem perspectiva de imunização a curto prazo, piora da empregabilidade, renda e ausência de qualquer tipo de medida de proteção social, como o auxílio emergencial, o qual a maior parte dessa faixa não tem direito.

Já, a faixa de renda até R$2.100,00, que apresenta um nível de confiança melhor do que a citada acima, vislumbra quase o mesmo cenário, porém mais esperançosa a respeito de um novo auxílio emergencial, a ser pago já a partir de março.

Esses últimos consumidores, em nossa percepção, turbinados por esse auxílio, foram os grandes responsáveis pelo desempenho extremamente positivo do comércio de materiais de construção durante o isolamento social, ao melhorarem a precariedade de seus lares ou darem continuidade às obras paralisadas.

E poderão também ser responsáveis por boa parte do desempenho das vendas em 2021.


Os leitores que tiverem interesse em receber uma apresentação analítica desses dados, solicitem pelo e-mail de contato do portal.

A Fundação de Dados é um sistema de inteligência de mercado especializado no consumo de materiais de construção, móveis e itens para o lar, que realiza pesquisas e estudos próprios, multiclientes e customizados.

Newton Guimarães

Head
newton@fundacaodedados.com.br

Clientes Parceiros