CONFIANÇA DOS CONSUMIDORES E COMÉRCIO CRESCE; DA CONSTRUÇÃO, DECRESCE

Confiança em alta induz consumo e investimentos. Em baixa, os reduz.

Segundo o recém divulgado Índice de Confiança do Consumidor (ICC), após a queda de 9,8 pontos, no comparativo março com fevereiro, houve recuperação de parte dessa queda em abril, com crescimento de 4,3 pontos, no comparativo com março.

Ainda, segundo a pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), parte desse crescimento foi puxado pelos consumidores de menor poder aquisitivo (faixa de renda familiar até R$2.100,00), com crescimento, também no comparativo abril com março, de 4,7 pontos.

Provavelmente, novamente, estamos diante do “efeito auxílio emergencial”, que alavancou o consumo, descolando-o da alta do desemprego e queda da renda, contribuindo também para melhora da confiança da população de baixa renda.

Já, consumidores de maior poder aquisitivo, mais protegidos financeiramente, também puxaram para cima o ICC, no mesmo período comparativo: na faixa de renda familiar entre R$4.800,01 e R$9.600,00 houve crescimento de 7,2 pontos, e na faixa de renda familiar acima de R$9.600,00, crescimento de 3 pontos.

Por fim, a única faixa de renda familiar que apresentou queda no comparativo abril com março, foi entre R$2.100,01 e R$4.800,00, com decréscimo de 2,5 pontos. Provavelmente, grande parte dessa faixa encontra-se num vácuo entre o auxílio emergencial e recursos próprios para proteção financeira.

Também, o Índice de Confiança do Comércio (ICOM), após a queda de 18,5 pontos, no comparativo março com fevereiro, recuperou parte dessa queda em abril, com crescimento de 11,6 pontos, no comparativo com março.

Assim, provavelmente, a combinação auxílio emergencial e paulatina reabertura das atividades comerciais durante o mês de abril, trouxe um pouco mais de otimismo para consumidores e comerciantes.

Porém, inversamente, o Índice de Confiança da Construção (ICST), após a queda de 3,2 pontos, no comparativo março com fevereiro, caiu novamente em abril, com decréscimo de 3,8 pontos, no comparativo com março.

O ICST monitora, fundamentalmente, empresas envolvidas direta ou indiretamente em obras de infraestrutura e edificações comerciais e residenciais, sendo que, no que concerne às vendas de imóveis residenciais, o mercado seguia aquecido, pelo menos até o fechamento dos estandes de vendas em muitas localidades, em parte dos meses de março e abril.

Contribui também para essa queda de confiança da construção a escassez e contínuos aumentos de preços dos materiais, dificultando a precificação dos produtos finais (imóveis).

De qualquer maneira, os três índices encontram-se positivos, ao compará-los com o mesmo mês do ano anterior, abril de 2020 (primeira mensuração completa após as medidas iniciais de isolamento social, e níveis históricos mais baixos): consumidor, +14,3 pontos; comércio, +22,9 pontos, e construção, +20 pontos.

Apesar da dura realidade política, econômica e sanitária do País, ao fim, tende-se a esperança e otimismo.


A Fundação de Dados é um sistema de inteligência de mercado especializado no consumo de materiais de construção, móveis e itens para o lar, que realiza pesquisas e estudos próprios, multiclientes e customizados.

Newton Guimarães

Head
newton@fundacaodedados.com.br

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