PIB BRASIL CRESCE, MAS PIB DA CONSTRUÇÃO SEGUE REDUZINDO

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) recém divulgou o desempenho do PIB Brasil e demais áreas e classes de atividades para o primeiro trimestre de 2021, traduzindo em números a recuperação econômica, ainda que desigual, entre essas mesmas áreas e classes.

O PIB do País cresceu 1%, no comparativo com o mesmo trimestre do ano anterior, ocasionando uma onda de revisões das principais instituições financeiras e econômicas para as estimativas ano, prevendo, agora, crescimento próximo ou superior a 5%, em 2021.

Mas, contemplando áreas de atividades que englobam empresas do segmento da construção e reforma, quais foram os desempenhos no mesmo período comparativo?

Na ótica da oferta, na área de atividade Indústrias de Transformação (inclui indústrias de materiais de construção diversos), o PIB cresceu 5,6%, no comparativo com o mesmo trimestre do ano anterior.

Infelizmente não há recortes nesse resultado, mas se nos apoiarmos nos dados da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT), é provável que o segmento tenha contribuído positivamente para o crescimento do PIB da área, haja vista que, no primeiro trimestre de 2021 houve crescimento estimado de 15,6%, no faturamento deflacionado das indústrias de materiais de construção Brasil.

E, certamente, as vendas no comércio de materiais de construção foram fundamentais para esse desempenho.

Retomando o PIB, ainda na ótica da oferta, na área de atividade Comércio (inclui o de materiais de construção), houve crescimento de 3,5%, no comparativo com o mesmo trimestre do ano anterior.

Da mesma maneira, não há recortes nesse resultado, mas se nos apoiarmos nos dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), é também provável que o segmento tenha contribuído positivamente para o crescimento do PIB da área, haja vista que, no primeiro trimestre de 2021 houve crescimento de 20,4%, no faturamento deflacionado do comércio de materiais de construção Brasil.

Por fim, destoando, chegamos na área de atividade Construção, que engloba, de maneira geral, todos os agentes da cadeia que atuam direta ou indiretamente na execução de obras de infraestrutura e construções residenciais, comerciais, entre outras.

Na ótica da oferta, na área Construção, houve decréscimo de 0,9%, no comparativo com o mesmo trimestre do ano anterior.

Embora desconheçamos dados históricos confiáveis sobre investimentos em obras de infraestrutura, certamente essa queda foi puxada, principalmente e novamente, pela redução dessas mesmas obras, haja vista que, no primeiro trimestre de 2021, no que concerne às vendas de unidades residenciais novas, houve crescimento de 27,1%, e aos lançamentos, de 3,7%, em dados de abrangência nacional da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Assim, diferentemente do PIB Brasil, o ano de 2021 segue incerto para a Construção, com riscos de aumentar, ainda mais, o declínio do PIB da atividade; já acumulado em 31,9%, do início efetivo da crise anterior, em 2015, até o ano de 2020.

Isso significa, em valores, que em 2013 a área de atividade Construção representava 6,4% de participação no valor adicionado a preços básicos do PIB, ou R$262,6 bilhões (em valores correntes). Em 2020, passou a representar apenas 3,3%, ou R$212,5 bilhões (em valores correntes).

Ao que tudo indica, a recuperação somente chegará ao PIB da Construção, quando houver uma retomada consistente nas obras de infraestrutura.


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Newton Guimarães

Head
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