NO ISOLAMENTO, COMÉRCIO DA CONSTRUÇÃO CRESCE MAIS DO QUE MÓVEIS E ELETROS

No recorte IBGE do Painel Mensal Vendas e Inflação Itens para o Lar, elaborado pela Fundação de Dados, considerando o desempenho de março de 2020 (primeiro mês das medidas de isolamento social e restrições comerciais) a abril de 2021, o comércio Material de Construção cresceu significativamente mais do que o comércio Móveis e Eletrodomésticos.

Segundo compilação de dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) mais recente, o faturamento Brasil do canal Material de Construção (home centers, lojas de tintas, lojas de bairro, de revestimento cerâmico, atacadistas, entre outros) está 19,7%, em volume de vendas (real/nominal deflacionado), e 44,5%, nominalmente (volume de vendas inflacionado), acima do faturamento pré-pandemia.

Somente em 2021, nominalmente, o canal cresceu 6,8%, significando um faturamento ano estimado de R$54,5 bilhões.

Já, o faturamento Brasil do canal Móveis e Eletrodomésticos (abarca magazines, como Magazine Luiza, lojas Cem, Casas Bahia, Ponto, Colombo, Fast Shop, entre outros formatos similares) está 1,5%, em volume de vendas, e 12,4%, nominalmente, acima do faturamento pré-pandemia.

Somente em 2021, nominalmente, o canal cresceu 3%, significando um faturamento ano estimado de R$39 bilhões.

A significativa diferença entre faturamento real e nominal pode ser melhor compreendida pelos dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE.

Em dados mais recentes de maio, relativos aos últimos doze meses, ou seja, junho de 2020 a maio de 2021, enquanto o acumulado da inflação geral Brasil foi de 8,06%, os preços do subgrupo Reparos (itens de materiais de construção) cresceu 8,27%, puxado para cima pelo item Material hidráulico, com 36,29% (não há abertura por subitens).

Já, no mesmo período, os preços do subgrupo Mobiliário (itens de móveis residenciais e colchões) cresceu 10,1%, puxado para cima pelo item Colchão, com 50,63%. Por fim, os preços do subgrupo Eletrodomésticos e Equipamentos cresceu 12,13%, puxado para cima pelo item Chuveiro elétrico, com 16,02%.

O desempenho das vendas de materiais de construção é notoriamente melhor do que o desempenho das vendas de móveis e eletrodomésticos no canal magazine, embora ambos sintam os efeitos da alta dos preços. Na visão do próprio Banco Central do Brasil (BCB), nos próximos meses os preços se acomodarão, graças à normalização das cadeias de fornecimento e redução dos estímulos fiscais nos principais países do mundo, inclusive o Brasil.

Se isso é positivo, por outro lado, principalmente pela última razão, não só os preços, mas as vendas também deverão se acomodar, restando apenas saber o quanto abaixo do boom dos últimos meses.


A Fundação de Dados é um sistema de inteligência de mercado especializado no consumo de materiais de construção, móveis e itens para o lar, que realiza pesquisas e estudos próprios, multiclientes ou customizados.

Newton Guimarães

Head
newton@fundacaodedados.com.br

Clientes Parceiros