PEDREIROS E EXECUTORES COM MENOS TRABALHO E DINHEIRO PARA MAIS ATIVIDADES

Na semana passada realizamos grupos de discussão on-line com pedreiros, e embora esse material qualitativo ainda esteja em análise, um ponto que chamou atenção foi a constatação de que eles estão desenvolvendo mais atividades nas obras residenciais do que antes da pandemia.

Por uma questão de saúde, os contratantes querem o mínimo de executores circulando pela casa, haja vista que, a maior parte das obras residenciais são feitas com os moradores nos imóveis.

Segundo dados recém-finalizados de outra pesquisa, porém quantitativa – e também em fase de análise –, na qual entrevistamos 1.021 consumidores que haviam realizado obras/reformas residenciais nos últimos doze meses, 71,7% dessas obras foram executadas com as pessoas morando no local.

Esse comportamento ajuda a explicar a queda das contratações na atividade Construção, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), mesmo durante o boom das vendas de materiais de construção no comércio.

Nos dados recém-divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no trimestre terminado em abril de 2021, havia 5.991 milhões de trabalhadores formais e informais na Construção, ante 5.896 milhões no mesmo período de 2020, ou seja, um crescimento de 95 mil trabalhadores na Construção.

Porém, deve-se considerar que a base de 2020 estava deprimida, em seus níveis históricos mais baixos, por conta dos primeiros impactos da pandemia, quando as obras residenciais foram interrompidas ou sequer iniciadas.

O nível normal pré-pandemia oscilava acima de 6.500 milhões de trabalhadores (executores) na Construção, como no trimestre terminado em abril de 2019 (não prejudicado pela pandemia), no qual havia 6.566 milhões de trabalhadores.

Assim, se compararmos com os atuais 5.991 trabalhadores na Construção, há uma queda de 575 mil executores, com um agravante: redução na remuneração dos trabalhos.

Também, nos grupos de discussão esse aspecto foi levantado, corroborado pelos números do IBGE: no trimestre terminado em abril de 2021, o rendimento médio real dos trabalhadores da Construção estava em R$1.799,00, ante R$1.964,00, no mesmo trimestre de 2020, ou ainda, R$1.906,00, no mesmo trimestre de 2019.

Por ora, com base nessas pesquisas, é possível concluir que pedreiros e demais executores informais estão sendo menos contratados para obras residenciais, e quando contratados, desenvolvendo mais atividades com remunerações reduzidas.


A Fundação de Dados é um sistema de inteligência de mercado especializado no consumo de materiais de construção, móveis e itens para o lar, que realiza pesquisas e estudos próprios, multiclientes ou customizados.

Newton Guimaraes

Head
newton@fundacaodedados.com.br

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