PEDREIROS: TORNANDO REALIDADE SONHOS DE LARES MELHORES – PARTE 3

Nos artigos anteriores, combinando pesquisas qualitativas e quantitativas recém-finalizadas, analisamos os diversos tipos de obras realizadas pelos pedreiros e os principais meios utilizados para suas contratações, nas perspectivas dos contratantes e dos próprios pedreiros.

Nesse último ponto, dentre a prevalência dos meios tradicionais, como conhecimento prévio de obras anteriores e recomendações de familiares e amigos, surgem, mesmo que marginalmente, as mídias sociais.

Porém, na utilização das novas tecnologias “meio moda carroça”, como bem definiu um dos pedreiros que participou dos grupos de discussão, não diferentemente, “nessa moda” surgem as plataformas para contratação de serviços.

Segundo uma declaração nos grupos de discussão online realizados com pedreiros, “Eu já tive o... também o... Hoje não assino mais o..., mas já participei dele. No começo não foi muito legal, as moedas iam muito rápido no..., acho que fechava um serviço a cada moeda que eu estava pagando, não estava tendo muito atendimento no começo, aí eu vi que estavam fluindo meus autônomos, fazia cartão, os panfletos, aí comecei a ter retorno, ai não precisei fazer mais”.

Nos dois grupos, houve apenas uma adesão efetiva e de caráter temporário aos aplicativos de mão de obra. De maneira geral, existe a percepção de que servem para “serviços pequenos”, o que vai de encontro com as preferências dos pedreiros de pegarem, sempre que possível, serviços maiores e que durem vários dias ou semanas.

Como bem resumiu outro entrevistado, “Eu já ouvi também esse aplicativo. Falaram que tem muito serviço, mas às vezes eu acho que acaba atrapalhando, eles oferecem muito serviço pequeno, que nem troca de chuveiro, essas coisinhas, para quem está precisando mesmo dá para fazer e terminar no mesmo dia, mas quem estiver com obra acaba atrapalhando, mas eu já ouvi que é muito bom.”

Porém, na fase quantitativa, na Pesquisa 1 | 2021, que entrevistou 1.021 consumidores que haviam realizado obras/reformas residenciais, predominantemente, entre maio de 2020 e abril de 2021, ou seja, durante o isolamento social, 7,2% dos contratantes de pedreiros utilizaram aplicativos e sites de mão de obra.

É significativo que esse percentual sobe para 10%, somente quando consideramos os consumidores da classe A; cai para 5,7%, quando consideramos somente da classe B, e praticamente inexiste, com 0,8%, quando consideramos somente da classe C.

Como normalmente ocorre na adoção de novas tecnologias, e principalmente na indústria da reforma e construção, os primeiros adeptos (early adopters) são consumidores de maior poder aquisitivo. Identificamos esse comportamento, por exemplo, na adoção dos meios digitais durante a fase de pesquisas e no momento da compra dos materiais de construção para a obra.

Porém, aqui, surge outro componente: converter e expandir uma mão de obra tradicionalista e pouco familiarizada com as tecnologias digitais.

Nos próximos artigos, seguiremos uma sequência analítica sobre os dados das pesquisas qualitativa e quantitativa realizadas com os próprios e com consumidores que os contrataram, no intuito de colaborar para a valorização profissional dos pedreiros.


A Fundação de Dados é um sistema de inteligência de mercado especializado no consumo de materiais de construção, móveis e itens para o lar, que realiza pesquisas e estudos próprios, multiclientes ou customizados.

Newton Guimarães

Newton Guimarães
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