INFORMALIDADE DA MÃO DE OBRA DA CONSTRUÇÃO E REFORMA CHEGA A 60%

O Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (CAGED) monitora o saldo de empregos formais (diferença entre admissões e demissões de contratações no regime CLT) geral e em cinco grandes áreas de atividades, incluindo Construção, que engloba a construção de edifícios, obras de infraestrutura e serviços especializados diversos (que atendem as duas primeiras).

É, portanto, uma mão de obra predominantemente contratada pelas construtoras, cujas vendas, no que diz respeito aos imóveis residenciais novos, estão aquecidas, estimulando assim os lançamentos de novos empreendimentos.

Como consequência, no primeiro semestre de 2021, o saldo de trabalhadores formais (celetistas) na atividade Construção está positivo em 178.606 celetistas, totalizando 2.452.147 milhões de celetistas na atividade.

Somente nos últimos doze meses, o saldo está positivo em 322.697 trabalhadores formais na Construção, e somente nos meses de isolamento social (março de 2020 a junho de 2021), o saldo está positivo em aproximadamente 233.046 (elaboração Fundação de Dados).

Já, a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), monitora o nível de ocupação formal e informal geral e por diversas áreas de atividades, incluindo a Construção.

Nesse caso, encontram-se também trabalhadores em construções, ampliações, reformas, melhorias e manutenções domésticas contratados informalmente, como os pedreiros, pintores, eletricistas, entre outros.

Segundo a PNADC, no comparativo do trimestre março/abril/maio de 2021 com o trimestre março/abril/maio de 2020 houve crescimento de 653 mil trabalhadores na atividade, totalizando 6.194 milhões de trabalhadores formais e informais na Construção.

Porém, mesmo sendo um crescimento significativo, deve-se considerar que a base do ano de 2020 está comprometida, devido à paralisação de grande parte das obras nos primeiros meses da pandemia. Assim, relativamente ao mesmo trimestre de 2019, quando a economia funcionava numa normalidade pré-pandêmica, há uma redução de 371 mil trabalhadores na atividade.

Por fim, ainda segundo a pesquisa, o salário médio pago ao contingente total de trabalhadores formais e informais na atividade decresceu 11,7%, passando de R$2.043,00, no trimestre março/abril/maio de 2020 para R$1.804,00, no trimestre março/abril/maio de 2021, queda essa principalmente puxada pelos trabalhadores informais.

Assim, reflete-se a mesma situação na atividade do que a situação constatada na economia em geral: momento mais favorável para os trabalhadores formais do que para os informais.

Uma constatação relevante, ainda mais se considerando que, cruzando dados CAGED com dados PNADC, o nível de informalidade no mês de maio foi de 60,8% do total de trabalhadores na Construção.


A Fundação de Dados é um sistema de inteligência de mercado especializado no consumo de materiais de construção, móveis e itens para o lar, que realiza pesquisas e estudos próprios, multiclientes ou customizados.

Newton Guimarães

Head
newton@fundacaodedados.com.br

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