O ENIGMA DOS IMÓVEIS RESIDENCIAIS NOVOS EM 2021

Segundo a Pesquisa 1 | 2021 da Fundação de Dados, do total de 1.021 consumidores que reformaram seus lares entre maio de 2020 e abril de 2021, 8,7% o fizeram antes de se mudarem para um imóvel novo recém-adquirido.

Logo, se os lançamentos de imóveis novos impactam diretamente os fabricantes de materiais de construção, as vendas, por sua vez, impactam diretamente o comércio de materiais de construção.

Assim, a análise da cadeia integrada vendas, lançamentos e oferta final de unidades residenciais novas, igualmente interessa para a indústria e o comércio do segmento.

Nesse ponto, vale a leitura comparada das duas mais fidedignas fontes brasileiras sobre o assunto, que divulgaram os dados do primeiro semestre de 2021: Secovi-SP e Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Segundo o Secovi-SP, em dados relativos à Grande São Paulo (capital + 38 cidades, que correspondem a 16,9% do PIB Brasil), no comparativo primeiro semestre de 2021 com primeiro semestre de 2020, houve crescimento de 64,3%, nas vendas de unidades residenciais novas (34.922 versus 21.248 unidades), e 173,9%, nos lançamentos (31.375 versus 11.454 unidades).

Já, segundo a CBIC, em dados relativos a 162 cidades distribuídas pelas cinco regiões do País (incluindo dados Secovi-SP), no mesmo período comparativo, houve crescimento de 46,1%, nas vendas de unidades residenciais novas (127.522 versus 87.284 unidades), e 57,2%, nos lançamentos (100.184 versus 63.737 unidades).

Embora deva-se considerar a base deprimida de 2020, correspondente aos primeiros meses das medidas de isolamento social, mesmo assim, tais resultados são dignos de comemorações, principalmente na Grande São Paulo.

Porém, há outras perspectivas que devem ser consideradas: a relação vendas/lançamentos e a oferta final de unidades residenciais novas disponíveis para vendas (estoque) no mesmo período.

Na Grande São Paulo, no primeiro semestre de 2021, foram vendidas 34.922 unidades e lançadas 31.375 unidades, uma relação vendas/lançamentos negativa em 10,1%, para um estoque de imóveis novos de 48.501 unidades, ante 41.156 unidades, no mesmo período de 2020 (médias mensais semestres), um crescimento de 17,8%.

Logo, embora os estoques não estejam sendo repostos na mesma quantidade das vendas, ainda assim, a oferta final é maior do que no mesmo período do ano anterior, indicando, assim, um possível equilíbrio entre oferta e demanda, não sendo este mais um elemento de pressão para aumento dos preços finais dos imóveis novos.

Já, também no primeiro semestre de 2021, no agregado das 162 cidades distribuídas pelas cinco regiões do País, foram vendidas 127.522 unidades e lançadas 100.184 unidades, uma relação vendas/lançamentos negativa em 21,4%, para um estoque de imóveis novos de 60.715 unidades, ante 66.749 unidades, no mesmo no mesmo período de 2020 (médias mensais semestres), um decréscimo de 9%.

Aqui, em maior intensidade, os estoques não estão sendo repostos na mesma quantidade das vendas, com o agravante de que a oferta final é menor do que no mesmo período do ano anterior, indicando, assim, um possível desequilíbrio entre oferta e demanda, podendo ser mais um elemento de pressão nos preços finais dos imóveis novos.

A questão é: qual das duas pesquisas aponta tendências?


A Fundação de Dados é um sistema de inteligência de mercado especializado no consumo de materiais de construção, móveis e itens para o lar, que realiza pesquisas e estudos próprios, multiclientes ou customizados.

Newton Guimarães

Head
newton@fundacaodedados.com.br

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