PIB DA CONSTRUÇÃO ESTÁ 0,5% ACIMA DO PRÉ-PANDEMIA

Com a divulgação do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais (SCNT), relativo ao Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro semestre de 2021, evidenciou-se a recuperação do PIB Construção durante os meses da pandemia.

Importante alinhar que no relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o subsetor Construção engloba, fundamentalmente, obras de infraestrutura, edificações residenciais e comerciais, entre outras, e serviços especializados diversos, que atendem infraestrutura e edificações.

Logo, não contemplamos nessa análise o comércio e indústrias de materiais de construção, que integram (não identificados) o PIB dos subsetores Comércio e Indústria de Transformação, respectivamente.

Ressaltando que os relatórios possuem periodicidade trimestral, segundo o SCNT, ao final do primeiro semestre de 2021, o PIB geral Brasil estava 0,2% abaixo do pré-pandemia. No mesmo período, o PIB Construção estava 0,5% acima do pré-pandemia.

No resultado anual, comparando o primeiro semestre de 2021 com primeiro semestre de 2020, o PIB Brasil cresceu 6,4%, enquanto o PIB Construção cresceu 5,8%.

Embora esses últimos resultados estejam alavancados pela base deprimida do primeiro semestre de 2020, ainda assim, ambos fecharão o ano positivos.

Para o subsetor Construção isso é particularmente importante, alimentando expectativas de que se inicie um círculo virtuoso, recuperando as perdas dos últimos anos.

Para dimensionar tais perdas, no acumulado anos de 2015 (início efetivo da crise anterior) a 2020, o PIB Construção encolheu 31,9%, enquanto no mesmo período, o PIB Brasil encolheu 6,4%.

Assim, ao final de 2020, o PIB Construção respondia por 3,3% do Valor Adicionado (VA) a preços básicos do PIB Brasil, correspondendo a R$212,5 bilhões. No final de 2014, respondia por 6,2% do VA do respectivo ano.

Porém, muito provavelmente, são as edificações residenciais que estão puxando essa recuperação, haja vista que os investimentos em obras de infraestrutura seguem em níveis históricos baixos, em aproximadamente 1,6% do PIB, quando o ideal seria, no mínimo, 4,1% (fonte consultoria especializada Inter.B).

Por outro lado, embora também alavancados pela base deprimida, segundo a Câmara Brasileira da Indústria de Construção (CBIC), no comparativo primeiro semestre de 2021 com primeiro semestre de 2020, as vendas de unidades residenciais novas cresceram 52,9% (41.062 versus 26.852 unidades), e os lançamentos, 169,2% (38.769 versus 14.401 unidades).

No entanto, somente as edificações residenciais não terão força para sustentar a reação do PIB Construção.

Para isso, seria necessário um ambiente político-econômico menos conturbado e mais previsível, proporcionando investimentos públicos e privados de longo prazo, o que a julgar pelos acontecimentos mais recentes, parece pouco provável.


A Fundação de Dados é um sistema de inteligência de mercado especializado no consumo de materiais de construção, móveis e itens para o lar, que realiza pesquisas e estudos próprios, multiclientes ou customizados.

Newton Guimarães

Head
newton@fundacaodedados.com.br

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