MATERIAL DE CONSTRUÇÃO: PROJEÇÕES DE VENDAS PARA 2022

Este artigo complementa o artigo anterior, Material de construção: dimensão do boom no biênio 2021/2020, no qual demonstrou-se que o comércio de materiais de construção ganhou musculatura nos últimos anos para enfrentar o difícil ano vigente.

Mas, segundo as projeções estatísticas, difícil quanto, será 2022?

Mensalmente, monitoramos a nova série histórica da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), atualizando e incorporando no modelo preditivo as revisões do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), identificando, assim, vieses de baixa, estabilidade ou alta nas projeções de vendas (detalhamento técnico no final).

Sempre frisando, que esse é um modelo puramente matemático, ou seja, não antevê e pondera variáveis sociais, políticas e econômicas futuras, entre infinitas possíveis, que poderão alterar tendências. 

Também é importante frisar que faturamento em volume de vendas (real) é nominal deflacionado, segundo relativos de preços do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI). Inversamente, faturamento nominal é volume de vendas com inflação.

Na projeção anterior, tratando estatisticamente os dados da nova série histórica da PMCde janeiro de 2012 a novembro de 2021, projetávamos para o faturamento comércio Material de Construção Brasil (varejo e atacado, sem sobreposições consumo final) uma queda de 2,5%, em volume de vendas, e crescimento de 4,7%, nominalmente, no comparativo 2022/2021.

Porém, na passagem de novembro para dezembro, o comércio do segmento apresentou queda no faturamento de 1,4%, em volume de vendas, e 0,3%, nominalmente, alterando para baixo as projeções (considerando também revisões de dados anteriores IBGE).

Assim, na nova projeção, tratando estatisticamente os dados da nova série histórica da PMC, de janeiro de 2012 a dezembro de 2021, projetamos para o faturamento comércio Material de Construção Brasil uma queda de 4,4%, em volume de vendas, e crescimento de 2,7%, nominalmente, no comparativo 2022/2021.

No entanto, retomando a premissa de abertura deste artigo, a musculatura adquirida nos últimos anos deverá propiciar uma transição menos traumática para 2023.

Considerando o acumulado comparativos “ano anterior” de 2017 a 2022 (este último, projetado), relativamente à crise anterior de 2015/2016, o comércio de materiais de construção crescerá 30,2%, em volume de vendas, e 93,6%, nominalmente (base ano de 2016), conforme gráfico.

Já, considerando o acumulado comparativos “ano anterior” durante a pandemia, de 2020 a 2022 (este último, projetado), o comércio de materiais de construção crescerá 10,6%, em volume de vendas, e 53,1%, nominalmente (base ano de 2019 – desempenhos relativos ao pré-pandemia), conforme gráfico.

Gráfico, Gráfico de barras

Descrição gerada automaticamente

É certo que o tripé emprego-renda-confiança do consumidor não será favorável em 2022 para as vendas de bens de consumo duráveis (materiais de construção, móveis etc.). Também a alta dos juros básicos da economia, justamente para debelar a inflação, tornará mais caro o crédito para compra desses mesmos bens, para um contingente já elevado de famílias endividadas. E, como se não bastasse, paralelamente aos sinais de superação da pandemia, surgem as consequências de uma guerra na Europa.

Por outro lado, positivamente, além da injeção de recursos financeiros por conta do Auxílio Brasil, os governos estaduais e municipais estão com os caixas cheios, com perspectivas de aumentos salariais e realizações de obras, que também devem ser realizadas pelo governo federal (investimentos em infraestrutura). Já, as construtoras iniciarão as obras, após o boom de lançamentos de 2021, gerando empregos e negócios para as indústrias de materiais de construção.

Enfim, esse é um breve e superficial panorama, apenas no sentido de ilustrar minimamente o nível de incertezas no qual nos encontramos. 

Incertezas essas, que graças à musculatura adquirida nos últimos anos pelo comércio de materiais de construção, poderão ser melhor assimiladas e equacionadas.

As projeções são elaboradas pela empresa especializada Best Forecast Marketing e Modelagem, com análises e apoio da Fundação de Dados. Utilizamos o modelo Holt-Winters sazonal, com cálculos atualizados mensalmente, baseados nos novos resultados da série histórica PMC, incluindo revisões de dados dos meses e anos anteriores, identificando, assim, vieses de alta, estabilidade ou baixa em cada nova previsão (tendências).

Newton Guimarães - Head

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