TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CRESCE, PORÉM COM PREDOMINÂNCIA DE INFORMAIS

Sob a perspectiva do contingente de trabalhadores, os dados do emprego na atividade Construção (obras de infraestrutura, construções de imóveis novos e obras residenciais ou empresariais) são francamente positivos.

Porém, há um importante ponto para reflexão.

Segundo o Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (CAGED), em julho de 2022, havia 2.524.773 trabalhadores celetistas (admitidos sob regime CLT) na Construção, um crescimento de 10,9%, relativamente ao mesmo mês de 2021.

Nesses dados do Ministério do Trabalho e Previdência, essa é uma mão de obra, fundamentalmente, empregada nas obras de infraestrutura ou construções de imóveis novos, beneficiada, de maneira conjuntural, pelo período eleitoral e decorrentes obras públicas, e, de maneira estrutural, pelo boom de lançamentos de unidades residenciais novas.

Mas, e o batalhão de trabalhadores restante, colocando na conta, também, os não-celetistas?

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), no trimestre móvel maio/junho/julho de 2022, havia 7.481 milhões de trabalhadores formais e informais na Construção, um crescimento de 7,4%, relativamente ao mesmo trimestre móvel de 2021.

Nesses dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além dos celetistas já vistos acima, aqui também está o batalhão das reformas, ampliações, construções, reparos, manutenções e melhorias domésticas/empresariais, ou, os pedreiros, pintores, eletricistas, encanadores, gesseiros, entre outros.

Ao cruzarmos os dados do CAGED com PNADC é possível afirmar que 66,3% dos trabalhadores da atividade Construção não são celetistas, sendo também possível estimar que a maioria absoluta desses atua sem CNPJ, na mais completa informalidade.

Ironicamente, um mercado acelerando processos de digitalização e modernização, tem em um dos seus maiores influenciadores para compras de produtos e marcas, pessoas que ainda vivem à margem da sociedade.

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