Novas perspectivas para o comércio de materiais de construção 2025

Este artigo atualiza as ponderações do artigo Perspectivas para o comércio de materiais de construção em 2025, publicado em 09 de janeiro passado, no qual consideramos a premissa de que as vendas de materiais de construção no comércio são influenciadas pela conjuntura de cinco variáveis: emprego, renda, crédito, confiança e programas de transferência de renda (gráficos no final do artigo), além, obviamente, da capacidade de gestão de cada empresa.

Baseados na análise anterior, com seus acertos e erros, o que mudou nesse período?

Novamente, vamos desmembrar a conjuntura:

Emprego: à luz das informações que dispúnhamos em janeiro, constatamos uma discrepância entre os dados por unidades federativas e nacional. Novos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua Trimestral (PNADCT) demonstram que a situação não mudou. No último trimestre de 2024, enquanto a taxa nacional estava em 6,2%, Pernambuco e Bahia ostentavam taxas de 10,2% e 9,9%, respectivamente. Na outra ponta, Santa Catarina e Mato Grosso apresentavam taxas de 2,7% e 2,5%, respectivamente. Permanece, portanto, a mesma leitura do artigo anterior: é provável que a taxa nacional desacelere para aproximadamente 7% neste ano, com aumento das discrepâncias regionais.

Renda: na época, o rendimento médio real das pessoas ocupadas (trabalhando formal ou informalmente) estava em mais de 3% acima do mesmo período do ano anterior (ganhos acima da inflação desse período), com ganhos reais da massa salarial beirando R$25 bilhões (dinheiro a mais no mercado de consumo). Sustentamos a mesma hipótese anterior: é provável que com a desaceleração do mercado de trabalho conjugada com a inflação, tais ganhos sejam reduzidos ou equalizados (mais provável, reduzidos).

Crédito: aqui as coisas mudaram. Assustado com o aumento da impopularidade, o governo vem acelerando iniciativas para concessão de crédito ao consumidor e empresas. Às empresas, com a utilização de bancos públicos e estatais, como o Fundo Social do Pré-Sal para o Programa Minha Casa, Minha Vida. Às pessoas físicas, o novo crédito consignado para os trabalhadores celetistas, empregados domésticos, rurais e MEIs, ou, como definiu a ministra Gleise Hoffmann: “o empréstimo do Lula”. Embora os bancos privados estejam cautelosos, a procura acima das expectativas na primeira semana permite concluir dois efeitos durante este ano: aumento da portabilidade de crédito (troca do mais caro pelo mais barato) para parte do recorde de 75,6 milhões de inadimplentes (SERASA), e, fora destes, mais estímulos para o consumo e, consequentemente, inflação e permanência da taxa Selic alta por mais tempo.

Confiança: No entanto, a concessão de crédito, seja do Lula ou da Petrobras, ainda não melhorou significativamente a confiança do consumidor na economia e em suas próprias finanças. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), embora em março o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) tenha crescido 0,7 ponto, no comparativo com fevereiro, tal crescimento ocorreu somente nas famílias de maior poder aquisitivo (mais protegidas da inflação), com decréscimo nas outras três faixas, relativas às famílias de menor poder aquisitivo. Comparando com o mesmo mês do ano passado, o ICC decresceu 7,7 pontos (sem ajustes sazonais). Assim, é possível reafirmar que os consumidores continuam menos propensos a gastar em 2025 do que em 2024. A conferir se o novo crédito consignado alterará essa tendência, ao se contrapor ao encarecimento do crédito no mercado. Provavelmente, não.

Programas de Transferência de Renda: a perspectiva em janeiro era de falta de espaço fiscal para aumento dos valores dos programas sociais e de transferência de renda, como o Programa Bolsa Família, salvo a inesgotável criatividade contábil do governo. E, de fato, o pente fino do Programa previsto no orçamento, permitirá reduzir em R$7,7 bilhões os benefícios, que, no entanto, apenas compensarão parte do aumento de outros benefícios, como o Pé-de-Meia, em R$13 bilhões, ainda fora do orçamento, ou o Benefício de Prestação Continuada (BPC), expandido e turbinado pelo aumento real do salário mínimo. Ou seja, ao fim, haverá aumento de recursos financeiros para os programas sociais, ainda sendo incerto de quanto e de onde virão os valores necessários.

Resumindo, por ora, mantém-se a perspectiva de desaceleração do mercado de trabalho, principalmente pelos efeitos defasados do novo ciclo de alta da taxa básica de juros, na tentativa de desacelerar a economia, controlar e ancorar as expectativas inflacionárias.

Com o desaquecimento do mercado de trabalho, os consumidores deverão se sentir menos confiantes para contrair crédito – apesar dos estímulos do governo –, com desaceleração das vendas de bens duráveis, como materiais de construção, simultaneamente ao encarecimento do crédito oferecido a juros de mercado.

Desacelerando a economia, desacelera o setor de serviços (e vice-versa), que embora não seja impactado tanto quanto as vendas de bens duráveis pelos juros elevados, também se ressentirá da inflação, e da redução da confiança e do orçamento familiar para gastos com viagens, hospedagens, alimentação fora do lar, atividades culturais, esportivas, estéticas etc.

Dessa maneira, baseados nas leituras setorial e macro, e projeções estatísticas em parceria com a Best Forecast Marketing e Modelagem, utilizando a série histórica da PMC/IBGE até janeiro, projetamos para o comércio de materiais de construção no comparativo 2025 com 2024, desempenho lateralizado em faturamento real (deflacionado), com crescimento nominal em torno de 3%.

No próximo artigo, retomaremos as análises do Painel Comportamental de Consumo de Materiais de Construção, com o dimensionamento dos gastos com obras/reformas residenciais nos últimos três anos pelas classes A/B/C.

Baixar gráficos: emprego, renda, crédito, confiança

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