Pix avança, mas cartão de crédito é ainda a principal forma de pagamento dos materiais de construção

No artigo anterior, Varejistas de materiais de construção faturaram, em média, R$ 159.281,00 por mês, fechamos uma série de três análises, modelando o número de unidades e o faturamento bruto e médio do varejo de materiais de construção, apoiados em dados do IBGE.

Agora, retomamos artigos apoiados no Painel Comportamental de Consumo de Materiais de Construção da Fundação de Dados.

A constância e a periodicidade das pesquisas do Painel permitem acompanhar o comportamento de consumo de materiais de construção, identificando padrões e mensurando oscilações e tendências.

Diferentemente das pesquisas realizadas isoladamente, muitas vezes contaminadas por sazonalidades e vieses, um monitoramento contínuo minimiza essas distorções ao longo do tempo, tendendo a informações mais consistentes.

O que vamos analisar aqui não é nenhuma novidade: a ascendência do PIX como forma de pagamento dos materiais de construção comprados para obras e reformas residenciais.

No entanto, é importante dimensionar essa ascendência e interpretá-la à luz dos impactos sobre os outros meios de pagamento e mercado.

Considerando o Painel Comportamental de Consumo de Materiais de Construção 2021, 2023 e 2025, com pesquisas realizadas em maio dos respectivos anos, com 1.020 consumidores que fizeram obras e reformas no último ano (detalhes técnicos no rodapé do gráfico), o cartão de crédito permanece imbatível e estável na casa dos 72%.

No entanto, nessa leitura bienal, é perceptível o avanço do Pix, que passou de 15,3% em 2021, para 42,1% em 2023, alcançando 54,1% em 2025.

Mas, se o cartão de crédito permanece estável, qual é o espaço ocupado pelo sistema criado pelo Banco Central do Brasil?

Notoriamente, o Pix ocupou o espaço de outros sistemas de pagamento à vista: dinheiro, que decresceu de 64,9% em 2021 para 30,5% em 2025; e cartão de débito, que decresceu de 44,7% em 2021 para 35,7% em 2025.

Interessante que a ascensão do Pix não alterou a média de meios de pagamentos utilizados por consumidor, em 2,2 tipos em 2021, 2023 e 2025, demonstrando que, de fato, ele substituiu outros meios, sem ampliar a diversidade de uso.

Também vale a menção de que, para preservar a série histórica, mantivemos o item transferência de dinheiro pelo aplicativo/site do banco. No entanto, essa transferência pode ser, também, por PIX.

Por fim, é sempre importante frisar que a amostra do Painel é de consumidores que reformaram e/ou ampliaram e/ou construíram, e não a de consumidores que realizaram manutenção doméstica, pequenos reparos e melhorias pontuais, cujo comportamento, muito provavelmente, é substancialmente diferente.

De qualquer maneira, embora a utilização do PIX tenha disparado bienalmente, o cartão de crédito permanece inabalável como principal forma de pagamento dos materiais de construção comprados para obras e reformas residenciais.

O que impõe mais um desafio para o comércio de materiais de construção em 2025 e 2026, diante do encarecimento do crédito e níveis recordes de endividamento das famílias e inadimplência dos consumidores.

No próximo artigo, analisaremos a utilização das principais formas de pagamento dos materiais de construção por classes sociais.

Haverá alguma diferença significativa?

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