Se a desaceleração econômica alterou a ordem dos principais tipos de intervenções realizadas nas obras residenciais, conforme analisado no artigo anterior Reformas de pisos e revestimentos desaceleraram, e as elétricas aceleraram, teria também alterado a ordem dos principais cômodos reformados?
Ou há algo de estrutural, de tal maneira enraizado no comportamento dos consumidores, que o torna imune às flutuações econômicas?
Na média histórica do Painel Comportamental de Consumo de Materiais de Construção, considerando pesquisas realizadas de 2021 a 2024, sempre em novembro dos respectivos anos com consumidores que haviam feito obras residenciais (detalhes técnicos no rodapé do gráfico), destacadamente os dois ambientes igualmente mais reformados foram: banheiros/lavabos (61,1%) e quartos (58,2%).
Em seguida, em um pelotão intermediário, aparecem salas (53,2%) e copa/cozinha (52,7%), e, fechando os ambientes estimulados nas pesquisas, área de serviço (37,4%) e outras áreas (25,3%).
Na pesquisa mais recente (Pesquisa 2 | 2025), surgem os quartos minimamente assumindo o protagonismo com 59%, seguidos pelos banheiros/lavabos (58%).
Os outros quatro ambientes também tiveram uma alteração mínima, com copa/cozinha (52,6%) à frente das salas (51,4%) e, em um pelotão final, área de serviço (33,5%) e outras áreas (28,3%), sendo este último o único que cresceu em relação à média.

Baixar gráficos: artigo, comércio de bens e serviços às famílias 2025 vs 2024
Há anos levantamos a hipótese de que o brasileiro, ao reformar seu lar, prioriza os ambientes íntimos aos sociais.
Nesse ponto, os banheiros e lavabos possuem, além de aspectos estéticos e de conforto, maior potencial de apresentar problemas estruturais como vazamentos, infiltrações, entupimentos etc.
Essa é uma peculiaridade positiva para o comércio de materiais de construção, considerando o expressivo número de itens que podem ser usados em um só ambiente: de materiais hidráulicos e elétricos, passando por infinitos itens de acabamento, até os metais sanitários de elevado valor agregado, por exemplo.
Relativamente aos quartos, pesquisas anteriores indicaram que, na composição dos gastos com esse cômodo, os armários elevam significativamente os valores. O desafio para o comércio de materiais de construção é o de como aproveitar a reforma dos quartos para também vender esse tipo de móvel, inclusive sob medida.
Embora tenhamos notado uma queda no contingente e dimensão das obras residenciais em 2025 (Redução das obras residenciais impacta os mercados de móveis e decoração), proporcionalmente, esses dois ambientes mantêm o protagonismo, permanecendo como os principais cômodos reformados pelos consumidores.
Esse é um comportamento estrutural, que não muda ao sabor da conjuntura econômica.
Na próxima semana, analisaremos a tendência de vendas no comércio de materiais de construção, a partir da consolidação dos dados IBGE de 2025, projeções estatísticas, eleições e, consequentemente, impulsos fiscais, creditícios e no endividamento público e dos consumidores.
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A Fundação de Dados realiza pesquisas ad hoc nos segmentos de materiais de construção e móveis, e por meio de painéis semestrais com consumidores de materiais de construção, nos quais as empresas assinantes podem inserir entendimentos exclusivos e sigilosos.









