E-consumidores de materiais de construção se dividem entre e-commerces especializados e generalistas

A ideia aqui é aprofundar o artigo anterior, Utilização da internet para compra de materiais de construção estabiliza após a pandemia, utilizando a mesma série histórica do Painel Comportamental de Consumo de Materiais de Construção, compreendendo, em ondas semestrais (sempre em maio e novembro), do período pré-pandemia até o ano de 2025.

Assim, parametrizada a base, investigamos apenas entre os e-consumidores de materiais de construção qual o tipo de site/e-commerce (compra via internet) no qual foram comprados os materiais de construção para as obras e reformas: especializados ou generalistas?

Nos questionários constavam didaticamente exemplos do que eram sites/e-commerces especializados (tipo Leroy Merlin, Telhanorte, MadeiraMadeira, Sodimac, Cassol, Ferreira Costa, Balaroti, Obramax etc.) e generalistas (tipo Magalu, Lojas Americanas, Shein, Amazon, Mercado Livre, Shopee etc.).

Na Pesquisa 1 | 2020, realizada em maio do respectivo ano com 1.021 consumidores que haviam feito obras e reformas no período anterior de 12 meses, considerando os e-consumidores de materiais de construção, 55,9% compraram nos especializados, 33% nos generalistas, e 11,1% em ambos (detalhes técnicos no rodapé do gráfico).

Essa é a fotografia do comportamento pré-pandemia.

Vamos ao filme!

Nas duas pesquisas seguintes – sempre com consumidores que haviam feito obras e reformas nos últimos 12 meses – Pesquisa 1 | 2021 (realizada em maio) e Pesquisa 2 | 2021 (realizada em novembro), a utilização dos especializados entre os e-consumidores cresceu para 62,7% e 63,2%, respectivamente, enquanto a dos generalistas decresceu para 29,4% e 27,1%, respectivamente.

Faz sentido, pois os sites/e-commerces especializados naturalmente já ofereciam, na época, uma gama imensamente maior de materiais de construção do que os generalistas e estavam mais bem preparados para atender ao boom de vendas desses produtos no período de restrições sociais.

Apenas um adendo: não houve essa pergunta na Pesquisa 2 | 2020 (realizada em novembro), pois direcionamos os entendimentos para intenção de consumo e não para hábitos e atitudes.

Retomando o Painel, com o início da reabertura econômica, os sites/e-commerces especializados mantiveram a predominância, até mesmo em um movimento inercial, situação que começou a mudar na Pesquisa 1 | 2023 (realizada em maio), quando foram utilizados por 60,7% dos e-consumidores contra 28,4% dos generalistas.

Desde então, os generalistas conquistaram fatias cada vez maiores entre os e-consumidores de materiais de construção, até praticamente dividirem a preferência com os especializados na onda mais recente do Painel, na Pesquisa 2 | 2025 (realizada em novembro): 43,4% dos especializados contra 42,6% dos generalistas, com a utilização de ambos atingindo o pico histórico de 14%.

Baixar gráficos: gráficos artigo, confiança consumidor e setorial

É sempre bom fazer as devidas ressalvas: mensuramos a utilização do meio, e não os gastos, e o comportamento de compra do perfil de obras e reformas residenciais, e não o do perfil de manutenção, pequenos reparos e melhorias pontuais.

Outro ponto, não demonstrado aqui por falta de espaço: quanto maior o poder aquisitivo, maior a utilização dos sites/e-commerces especializados. Por outro lado, quanto menor, maior a utilização dos generalistas.

Por fim, ainda no gráfico acima, é perceptível que os sites/e-commerces especializados, que dominaram as preferências dos e-consumidores até o final de 2023, desde 2024 enfrentam uma acirrada concorrência dos generalistas, com a utilização combinada de ambos crescendo significativamente na pesquisa mais recente.

Quanto a esse último ponto, não sabemos ainda se isso é uma tendência, mas é possível estimar que assim como os consumidores combinam os tipos de canais na jornada de compra física de materiais de construção, também poderão fazê-lo na jornada digital.

No próximo artigo, manteremos na série sobre os canais de compra de materiais de construção, porém fazendo uma guinada dos sites/e-commerces para as lojas de bairro e o relacionamento com seus clientes no dia a dia (na ótica desses clientes).

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