A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada na semana passada, indicou, no comparativo acumulado ano primeiro quadrimestre de 2026 com o mesmo período do ano anterior, decréscimo de 0,7% no faturamento em volume de vendas (real/deflacionado) do comércio de materiais de construção.
Em faturamento nominal (com inflação), na mesma métrica e período, o comércio do segmento cresceu 2,7%.
Dessa maneira, além do faturamento real apresentar tendência de melhora em relação ao comparativo acumulado ano anterior (-1,0%), a inflação turbinou seu resultado.
Mas, para referência, de quanto estaríamos falando, considerando uma base de gastos dos consumidores das classes A, B e C em 2025?
Apoiados nos dados mais recentes do Painel Comportamental de Consumo de Materiais de Construção, segundo a Pesquisa 2 | 2025 (detalhes técnicos no rodapé dos gráficos), realizada em novembro/dezembro passados com 1.020 consumidores que haviam feito obras/reformas residenciais nos últimos 12 meses, os gastos médios totais foram de R$ 18.463,40 (em valores correntes).
Desse total, 59,8%, ou R$ 11.041,11, foram destinados às compras de materiais de construção no comércio, com o restante destinado à mão de obra e a outros serviços.

Agora, considerando somente os consumidores da classe A, os gastos médios totais foram de R$ 56.463,20 (em valores correntes). Desse total, 55,1%, ou R$ 31.111,22, foram destinados às compras de materiais de construção no comércio.

Considerando somente os consumidores da classe B, os gastos médios totais foram de R$ 22.095,90 (em valores correntes). Desse total, 60,2%, ou R$ 13.301,73, foram destinados às compras de materiais de construção no comércio.

Por fim, considerando somente os consumidores da classe C, os gastos médios totais foram de R$ 14.230,80 (em valores correntes). Desse total, 60%, ou R$ 8.538,48, foram destinados às compras de materiais de construção no comércio.

Baixar gráficos: artigo, endividamento famílias
É importante frisar que dimensionamos apenas os gastos com obras e reformas, estimados em 70% do sell out do comércio de materiais de construção, e não com os pequenos reparos e manutenções pontuais.
Dessa maneira, se considerarmos as projeções estatísticas para o comércio de materiais de construção em 2026, realizadas em parceria com a Best Forecast Marketing e Modelagem, que indicam um crescimento nominal de 4,7%*, falaremos de gastos médios estimados com obras/reformas nas classes A/B/C de R$ 11.560,04.
Somente na classe A, de R$ 32.573,45; na classe B, de R$ 13.926,91; e, na classe C, de R$ 8.939,79.
Essa é apenas uma elaboração no sentido de estimar, em ordem de grandeza, as perspectivas de gastos médios dos consumidores com materiais de construção em 2026, sempre cientes das limitações técnicas dessas extrapolações, ainda sujeitas a inúmeras variáveis que podem alterar significativamente as projeções.
No entanto, por ser um dimensionamento construído metodicamente e embasado em dados fidedignos, tem seu valor como métrica para comparações e planejamento das empresas do segmento.
Para quem quiser aprofundar o assunto, há dois artigos anteriores sobre esse tema: Consumo de materiais de construção é impulsionado por consumidores de menor renda e Mão de obra corresponde a 45% do total dos gastos nas obras residenciais.
* As projeções estatísticas utilizam o método Holt-Winters Sazonal e são baseadas nos índices da nova série histórica da PMC/IBGE, iniciada em janeiro de 2012, sendo ajustadas a cada novo input de dado mensal.
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