Decoração é um importante diferencial para o comércio de materiais de construção

Se considerarmos a série da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de 2020 a 2025, ou seja, a partir do primeiro ano da pandemia, a atividade comercial Material de Construção cresceu, no acumulado desses seis anos, 8,6% (incluindo e-commerce), em volume de vendas (faturamento real/deflacionado).

Para efeito comparativo com outro formato comercial de produtos voltados, predominantemente, para o lar, a atividade Móveis e Eletrodomésticos (Magazine Luiza, Casas Bahia e similares) cresceu, na mesma métrica e período comparativo, 6,7% (incluindo e-commerce).

Desmembrando pelas categorias de produtos, os eletrodomésticos estimularam esse crescimento (12,5%), enquanto os móveis o desestimularam (-6,2%).

Portanto, podemos concluir que os móveis perdem força no canal e de que o comércio de materiais de construção cresceu mais do que o de móveis e eletrodomésticos.

Possivelmente, a distribuição de móveis tem se expandido por inúmeros outros canais de venda, como lojas especializadas, móveis planejados, marcenarias, outros tipos de e-commerces e, por que não, as lojas de materiais de construção.

Afinal, parte relevante dos consumidores aproveita a realização das obras e reformas para também decorar seus lares, conforme comprova a série histórica do Painel Comportamental de Consumo de Materiais de Construção.

Considerando a média de 2021 a 2025, com pesquisas sempre realizadas em novembro/dezembro do respectivo ano, com, no mínimo, 1.020 consumidores que fizeram obras/reformas nos últimos 12 meses (detalhes técnicos no rodapé dos gráficos), 48,8% aproveitaram a obra para decorar seus lares, especificado no questionário como “trocar móveis ou tapetes ou cortinas ou persianas ou quadros ou almofadas ou papel de parede ou objetos decorativos etc.”.

Ao segmentarmos por classes sociais, a decoração dos lares cresce para 68,4% na classe A e para 54% na classe B, decrescendo para 44,9% na classe C.

Baixar gráficos: artigo, confiança consumidores e setoriais

Ou seja, independentemente do poder aquisitivo dos consumidores, a incidência é elevada, mesmo na classe social que menos decorou.

Um dos pontos que podem estar contribuindo para o fortalecimento das lojas de materiais de construção, independentemente do formato – de uma loja de bairro a um home center –, pode ser, justamente, a expansão da oferta de produtos correlatos às obras e reformas.

Em 2025, ainda segundo a PMC do IBGE, no comparativo com o ano anterior, as vendas reais de materiais de construção andaram de lado (-0,1%) e, no ano vigente, poderão crescer modestamente, principalmente graças aos estímulos fiscais e creditícios do governo federal.

E, como a história recente já ensinou, esses estímulos, quando excessivos, proporcionam o famoso voo de galinha, com a devida aterrissagem nos anos seguintes, muitas vezes no formato de retração.

Expandir a venda de produtos correlatos às obras e reformas residenciais pode fazer a diferença nesse cenário.

Para quem quiser aprofundar o assunto, há dois artigos anteriores sobre esse tema: 72,1% dos consumidores da classe A compraram móveis ao reformar seus lares e Home centers são subutilizados para as vendas de móveis

Optamos, sempre que possível, por análises baseadas em séries temporais fidedignas que, diferentemente das pesquisas isoladas, minimizam ou neutralizam, no decorrer do tempo, vieses e sazonalidades, oferecendo informações significativamente mais consistentes.

No próximo artigo, seguiremos com os recortes do Painel Comportamental de Consumo de Materiais de Construção, sempre que possível extrapolados para o ambiente macroeconômico.

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