As vendas de materiais de construção para obras e reformas residenciais obedecem a uma maior racionalidade na escolha dos produtos do que em outros segmentos de mercado.
Embasa essa hipótese, o extenso período de planejamento dos consumidores, entre a decisão de fazer a obra e o seu início efetivo, aumentando o desafio dos players do segmento para prender a atenção dos consumidores durante esse longo período.
Assim, mantendo a série histórica do Painel Comportamental de Consumo de Materiais de Construção, perguntamos para 1.020 consumidores que haviam realizado obras e reformas: “Antes de iniciar essa reforma, quanto tempo você passou planejando essa obra (pesquisando materiais, elaborando orçamentos, avaliando mão de obra, etc.)?”.
A série foi iniciada na Pesquisa 1 | 2021, sempre com no mínimo 1.020 consumidores que haviam feito obras/reformas residenciais no período de 12 meses anteriores a maio do respectivo ano.
A média histórica é de 4 meses de planejamento, com maior incidência no período de um a dois meses de planejamento, com 25,8%.
Considerando apenas a pesquisa mais recente (Pesquisa 1 | 2026), mantém-se a média de 4 meses, porém com crescimento na incidência de até um mês (21,7%) e decréscimo da incidência do período de um a dois meses (22,1%), em relação à média histórica.

É possível que este seja um comportamento normal em um período de redução do tamanho das obras e reformas, em linha com a própria desaceleração das vendas no comércio de materiais de construção.
Considerando agora apenas a pesquisa mais recente (Pesquisa 1 | 2026), ao segmentarmos por classe social há uma significativa diferença comportamental.
A média do período de planejamento é igual nas classes A e B, em 3,7 meses, porém é mais elevada na classe C, em 4,2 meses.
Por fim, nas classes A e B as maiores incidências ocorrem no período de um a dois meses, com 27,5% e 26,3%, respectivamente, e na classe C, no período de até um mês, com 24%.

Baixar gráficos: artigo, crédito e endividamento
Parece contraditório que na classe C a média do tempo de planejamento seja a mais elevada, porém com uma incidência maior no período de até um mês.
Talvez esse seja um indicativo de que nos consumidores de menor poder aquisitivo, há uma combinação de obras de menor dimensão – daí a incidência mais alta em até um mês –, com um tempo maior de planejamento e pesquisa quando as obras são maiores, devido, justamente, à menor disponibilidade financeira.
E a partir desse ponto retomaremos o assunto no próximo artigo, apresentando, dentro dessa mesma série histórica, quais os principais meios consultados nesse período de planejamento das obras/reformas.
Comportamento é mercado: portanto este artigo é uma sequência do anterior Eletricistas são os executores mais bem avaliados nas obras, e os azulejistas, os piores, como parte do mapeamento dos hábitos e atitudes dos consumidores ao realizarem obras e reformas em seus lares.
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