Verticalização imobiliária e a indústria das reformas residenciais

A partir deste artigo, abriremos dados da nova onda do Painel Comportamental de Consumo de Materiais de Construção – Pesquisa 1 | 2024, finalizada no mês passado.

Segundo o Censo Demográfico 2022, o Brasil possui 72,4 milhões de domicílios permanentemente ocupados, sendo que, desse total, 84,8% são casas, 14,9% são apartamentos e 0,3% de outros tipos.

Desconhecemos dados comparáveis no Censo Demográfico 2010, no entanto, muito provavelmente, indicariam para um aumento do percentual de apartamentos no novo Censo, com proporcional redução do percentual de casas.

E, justamente, no Painel, ano após ano, tem crescido o percentual de obras/reformas realizadas em apartamentos, com decréscimo no percentual de casas.

Na pesquisa de 2021, do total da amostra, 15,4% haviam realizado obra/reforma em apartamento; em 2022, 17,3%; em 2023, 17,9%, e, por fim, em 2024, 21,1% (perfil das amostras das pesquisas no rodapé do gráfico).

É possível notar que, paralelamente, as obras e reformas em casas decresceram, passando de 83,8%, na pesquisa de 2021, para 77,4%, na pesquisa de 2024.

O Painel distribui semestralmente suas amostras pelas 13 Unidades Federativas economicamente mais ricas do País, por capitais e cidades interioranas e litorâneas, logo, dimensionando com confiabilidade em áreas mais densamente povoadas, uma tendência mercadológica nacional.

Assim, é possível afirmar que a indústria da obra/reforma residencial, responsável pela maior parte do sell out de materiais de construção (estimamos em 70%), passa por uma alteração relevante no perfil dos imóveis, com potencial de alterar, ao longo do tempo, produtos e oferta no varejo de materiais de construção.

Por outro lado, a despeito das oportunidades que podem surgir nessa transição, ainda assim, por ora, a realidade é que, a cada dez reformas/obras residenciais, aproximadamente oito são realizadas em casas.

Nos próximos artigos, seguiremos com novos dados e análises inseridas em séries históricas, sobre comportamento de consumo de materiais de construção.

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