45,1% dos clientes aprovam as lojas de tintas, contra 25,7% dos home centers e 21,3% das lojas de bairro

No comparativo ano de 2025 com 2024, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), o comércio de materiais de construção decresceu 0,1%, em volume de vendas (faturamento rela/nominal deflacionado), e cresceu 2,4%, nominalmente (faturamento percebido/nominal deflacionado).

Já os dados consolidados do comparativo primeiro trimestre de 2026 com o primeiro trimestre de 2025, indicaram um decréscimo de 1% em volume de vendas e crescimento de 2,2%, nominalmente.

Assim, há indicativos de que o comércio de materiais de construção provavelmente andará de lado (desempenho próximo a zero) também em 2026, com crescimento, novamente, somente devido à inflação.

A eficiência das operações em cada detalhe, portanto, será fundamental para minimizar ou mesmo reverter essa tendência.

Nesse aspecto, considerando a experiência do consumidor de materiais de construção nos três principais tipos de canais de compra do segmento, perguntamos: “Na sua opinião, quais seriam os pontos críticos nas lojas onde foram comprados os materiais de construção?”

Antes dos dados, uma distinção importante.

Os resultados apresentados a seguir dizem respeito a três anos de pesquisas, com as devidas médias, reforçando a profundidade da informação, uma vez que as pesquisas comportamentais contínuas, no formato de painel, minimizam ou reduzem vieses sazonais e/ou de amostras.

Considerando as três pesquisas anuais mais recentes (2023 a 2025), nas quais, sempre em novembro do respectivo ano, entrevistamos 1.020 consumidores que haviam realizado obras e reformas nos últimos 12 meses (detalhes técnicos no rodapé dos gráficos), para 45,3% dos compradores das lojas de tintas,não há ponto crítico”.

Entre os pontos críticos mais citados em relação ao canal, aparecem “pouca variedade de produtos” (16,6%), “ter de pagar valor do frete” (16,1%) e “falta de diversidade de marcas” (14,1%).

Agora, significativamente abaixo, para 25,7% dos compradores dos home centers/lojas grandes, “não há ponto crítico”.

Entre os pontos críticos mais citados em relação ao canal, aparecem “ter de pagar valor do frete” (35,6%), “atendimento pouco atencioso dos vendedores” (27,3%) e “demora do frete/prazo de entrega” (24,2%).

Por fim, para apenas 21,3% dos compradores das lojas de bairro (próximas da obra, pequenas, médias e multicategorias de produtos), “não há ponto crítico”.

Entre os pontos críticos mais citados em relação ao canal, aparecem “pouca variedade de produtos” (44,2%), “falta de diversidade de marcas” (38,9%) e “ter de pagar valor do frete” (16,9%) empatado com “falta de conhecimento técnico dos vendedores” (16,1%).

Baixar gráficos: artigo, emprego formal construção e varejo de matcons

É importante frisar que realizamos uma avaliação por tipo de canal de compra, sem citação de bandeiras, o que traz uma leitura geral e não individual.

Assim, na média histórica, as lojas de tintas são o tipo de canal que proporciona a experiência de compra mais alinhada às expectativas do consumidor, enquanto as lojas de bairro, a menos alinhada.

Outro ponto evidente é que “ter de pagar valor do frete” consta entre os itens mais citados nos três tipos de canais, porém, disparadamente, como destaque negativo nos home centers/lojas grandes (35,6%). Aliás, nesse canal, a “demora do frete/prazo de entrega” também surge como destaque negativo, com 24,2%.

No entanto, muitos dos principais pontos críticos citados pelos consumidores são limitações do próprio canal, independentemente da eficiência da operação, como “pouca variedade de produtos” ou “falta de diversidade de marcas” nas lojas de tintas e de bairro.

Por outro lado, tantos outros não o são, como “atendimento pouco atencioso dos vendedores” nas lojas de tintas (12,6%) e nos home centers/lojas grandes (27,3%) ou “falta de conhecimento técnico dos vendedores” nas lojas de bairro (16,1%).

Ou, em outros itens que não os principais, como “falta de conhecimento técnico dos vendedores” nas lojas de tintas (10,8%) e nos home centers/lojas grandes (19,3%) ou “exposição inadequada dos produtos” nas lojas de bairro (13,8%).

Afinal, em tempos de crescimento real zero, cada detalhe importa.

É notório que temos trazido nos artigos a visão positiva dos consumidores das lojas de tintas que, independentemente de suas características próprias, talvez tenham algo a ensinar aos outros formatos de canal.

Para quem se interessar pelo assunto, sugerimos um artigo anterior, publicado em 19 de março passado, Série reforça a insatisfação com as lojas de bairro e satisfação com as lojas de tintas.

No próximo artigo, seguiremos com os recortes do Painel Comportamental de Consumo de Materiais de Construção, sempre que possível extrapolados para o ambiente macroeconômico.

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