Classe A impulsiona o uso da internet para a compra de materiais de construção

No artigo anterior, Uso da internet para compra de materiais de construção cresceu 89,4% em relação ao pré-pandemia, levantamos a hipótese de que “na utilização dos canais digitais para compra de materiais de construção, diferentemente da tendência de crescimento anterior à pandemia, desta vez a tendência é de estabilidade”.

Afinal, considerando o total de e-consumidores de materiais de construção das classes A, B e C, na pesquisa de 2023, o uso da internet para compra de materiais de construção (independentemente do volume, valor e número de itens) foi de 30,3%; na pesquisa de 2024, 31,1%, e, na pesquisa de 2025, 30,2%, com média de 30,5%.

Ou seja, considerando os três anos, manteve-se um patamar de 30%, com oscilações irrelevantes.

Mas essa hipótese se sustenta quando recortamos a mesma série por classes sociais?

Frisando que as pesquisas foram aplicadas em novembro do respectivo ano, com consumidores que haviam feito obras e reformas nos últimos 12 meses (detalhes técnicos nos rodapés dos gráficos), na classe A, a média é significativamente mais elevada, de 51,6%.

Diferentemente das oscilações irrelevantes no total de e-consumidores, quando consideramos o recorte de e-consumidores da classe A, houve progressão, passando de 48,3% na pesquisa de 2023 para 52,5% na pesquisa de 2025.

Agora, considerando o recorte de e-consumidores da classe B, a média cai para 38,6%, com tendência de estabilidade, passando de 39,4% na pesquisa de 2023 para 39,2% na pesquisa de 2025.

Por fim, considerando o recorte de e-consumidores da classe C, a média cai para 25,2%, também com tendência de estabilidade, passando de 24,6% na pesquisa de 2023 para 24,4% na pesquisa de 2025.

É sempre importante frisar que pesquisamos o perfil de consumidor que realizou obras/reformas residenciais, e não o perfil que fez pequenos reparos e manutenções pontuais, cujo comportamento de compra é diferente.

Dessa maneira, a tendência de estabilidade no contingente total de e-consumidores de materiais de construção é influenciada pelas classes B/C, com a classe A mantendo-se acima de 52% nas duas últimas pesquisas, crescendo, portanto, em relação ao ano de 2023, quando estava em 48,3%.

Portanto, a hipótese inicial de tendência de estabilidade no contingente total de e-consumidores de materiais de construção adquire uma segunda perspectiva, considerando que os consumidores de maior poder aquisitivo adotam precocemente as tendências tecnológicas, sendo seguidos, posteriormente, pelos de menor poder aquisitivo.

No próximo artigo, seguiremos com os recortes do Painel Comportamental de Consumo de Materiais de Construção, sempre que possível extrapolados para o ambiente macroeconômico.

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