VENDAS DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO VOLTAM A SURPREENDER

Para quem circula no comércio de materiais de construção existe uma máxima sobre sua capacidade de se adaptar aos momentos difíceis da economia, e, de um jeito ou de outro, encontrar uma maneira de crescer. Ou, nas piores hipóteses, estabilizar as vendas ou decrescer menos do que outros segmento do varejo.

Seja essa uma lenda corporativa ou não, novamente, contra todas as expectativas, a julgar pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a máxima se concretiza.

Para tal, vamos analisar estatisticamente o comportamento das vendas do comércio do segmento, apenas sob a perspectiva do agregado dos comparativos “mês anterior” (com ajustes sazonais), do início da pandemia até a mais recente Pesquisa Mensal do Comércio (PMC).

Dessa maneira, evitamos o efeito base das comparações com iguais meses ou períodos de anos anteriores, contaminados pela depressão do início da pandemia ou pelo boom posterior de vendas.

No agregado dos comparativos “mês anterior” de março de 2020 a março de 2022 houve crescimento nominal (inflacionado/faturamento percebido) de 55,6%, no faturamento do comércio de materiais de construção, relativamente ao pré-pandemia (sobre fevereiro de 2020).

Já, apenas no agregado dos três últimos meses pesquisados, de janeiro a março de 2022, houve crescimento de 5,7% (sobre dezembro de 2021), reforçando o crescimento do agregado dos doze meses de 2021 de 10,2% (sobre dezembro de 2020).

Porém, crescer nominalmente num ambiente inflacionário é bom, mas, não é algo digno de comemoração. Digno de comemoração é continuar crescendo, mesmo deflacionando os resultados.

Assim, no agregado dos comparativos “mês anterior” de março de 2020 a março de 2022 houve crescimento em volume de vendas* (real/faturamento deflacionado) de 13%, no faturamento do comércio de materiais de construção, relativamente ao pré-pandemia (sobre fevereiro de 2020).

Já, apenas no agregado dos três últimos meses pesquisados, de janeiro a março de 2022, houve crescimento de 3,2% (sobre dezembro de 2021), revertendo o decréscimo do agregado dos doze meses de 2021 de 7% (sobre dezembro de 2020).


Dessa maneira, por ora, o comércio de materiais de construção faz jus à sua fama, reage e cresce em termo real.

Comemoremos, comedidamente, mas, comemoremos!

*Desempenho em volume de vendas é desempenho nominal deflacionado a partir dos relativos de preços do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI).

Newton Guimarães - Head

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