Classe B é a que mais utiliza o cartão de crédito para compras de materiais de construção

No artigo anterior, Pix avança, mas cartão de crédito é ainda a principal forma de pagamento dos materiais de construção, constatamos que embora o Pix tenha sido o meio de pagamento que mais cresceu entre os consumidores de materiais de construção, quando realizando obras e reformas residenciais, o cartão de crédito permanece imbatível.

Tanto quanto antes da existência do meio de pagamento criado pelo Banco Central (BC).

Dessa maneira, é inevitável concluirmos o impacto negativo sobre as vendas de materiais de construção do encarecimento do crédito, elevado endividamento, nível recorde de inadimplência e baixa confiança dos consumidores.

Por mais que o Governo Federal libere recursos financeiros na economia por intermédio de benefícios sociais e programas de redistribuição de renda, ainda são as compras parceladas que impulsionam o comércio do segmento.

Nesse embate entre a política contracionista do BC e a política expansionista do Governo Federal, as vendas de materiais de construção desaceleram, porém, sem perspectiva de retração ao final do ano vigente.

Mas o cartão de crédito é realmente tão importante assim, quando segmentamos a leitura por classe social?

Considerando apenas a onda mais recente do Painel Comportamental de Consumo de Materiais de Construção 2025, com pesquisa realizada em maio passado com 1.020 consumidores que fizeram obras e reformas no último ano (detalhes técnicos no rodapé do gráfico), a resposta é sim.

Como vemos no gráfico abaixo, os quatro principais meios de pagamento obedecem à mesma ordem, independentemente da classe social: Cartão de crédito, Pix, cartão de débito e dinheiro.

Porém, em uma leitura horizontal do gráfico, vemos que, proporcionalmente, a classe B – “a judiada classe média” – é a que mais utiliza o cartão de crédito, com 77,7%.

Já o Pix é, proporcionalmente, mais utilizado na classe A, com 49,8%; cartão de débito nas classes A e C, com 39,4% e 40,2%, respectivamente; e, dinheiro, na classe C, com 36,4%.

Interessante que a diferença da média de utilização de meios de pagamento seja irrelevante: 2,3 tipos na classe A, e 2,2 tipos nas classes B e C.

No entanto, nessa onda da pesquisa, vemos justamente os consumidores de poder aquisitivo médio mais dependentes do cartão de crédito para compras de materiais de construção, enquanto, nas classes A e C, há uma dependência menor.

Especulamos que, no primeiro caso, por disporem de maior liquidez para pagamentos à vista, e, no segundo caso, por as obras serem de menor porte.

Ou, ainda, por não disporem de crédito, uma vez que a classe C encontra-se significativamente mais endividada e inadimplente do que as classes A e B.

No próximo artigo, fechando mais essa trilogia, aprofundaremos o tema cartão de crédito, analisando o número de parcelas geral e por classe social para compras de materiais de construção.

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