82,8% das obras residenciais são pagas com recursos próprios

Vamos fechar aqui uma trilogia sobre os gastos dos consumidores com obras residenciais, iniciada no artigo Consumo de materiais de construção é impulsionado por consumidores de menor renda, seguido por Mão de obra corresponde a 45% do total dos gastos nas obras residenciais, analisando agora o acesso aos recursos financeiros que pagaram por essas obras.

Esse assunto é ainda mais pertinente em um momento no qual as principais pesquisas indicam um endividamento e inadimplência recordes dos brasileiros, criando barreiras ao consumo de bens duráveis via crédito, como materiais de construção para obras e reformas residenciais.

Assim, na Pesquisa 2 | 2025, realizada em novembro passado com 1.020 consumidores que fizeram obras e reformas residenciais no período de 12 meses (detalhes técnicos no rodapé do gráfico), perguntamos: “Essa obra/reforma foi realizada…”

Do total de entrevistados, 82,8% a realizaram com recursos próprios, enquanto 17,2% com empréstimo/financiamento bancário.

Analisando os recortes, destaque para a realização com recursos próprios nas classes B (82,7%) e C (83,1%), moradores da região Sudeste (83,7%) e Centro-Oeste (84,9%), sem diferenças relevantes por faixas etárias, com o percentual girando entre 82% e 83%.

Por outro lado, destacamos, em relação ao empréstimo/financiamento bancário, a classe A (21,2%) e moradores do Nordeste (20,9%).

No entanto, todos os recortes estão baixos, demonstrando que os consumidores realizam as obras/reformas residenciais, predominantemente, utilizando recursos próprios.

Baixar gráficos: artigo, endividamento x Desenrola Brasil 1

É quase certo que, na perspectiva desses entrevistados, esses recursos incluem o parcelamento no cartão de crédito – ou até mesmo no Pix? –, o que não deixa de ser uma forma de empréstimo/financiamento bancário.

Por outro lado, muito provavelmente, na mesma perspectiva, o empréstimo/financiamento bancário enquadre a busca efetiva dos recursos em uma instituição financeira, com os devidos processos burocráticos.

Por fim, deve-se considerar que, no período dessa pesquisa, o programa de crédito direcionado Reforma Casa Brasil, com juros subsidiados ou reduzidos para obras e reformas, ainda não estava disponível, o que poderá, na próxima pesquisa de novembro de 2026, impulsionar essa modalidade (vamos aprofundar todos os pontos da questão acima na próxima onda).

Colabora para essa visão o Novo Desenrola Brasil, recém-lançado apenas dois anos após o término de sua primeira versão, que, mesmo não resolvendo as questões estruturais e multifatoriais do endividamento e da inadimplência das famílias e, possivelmente, agravando-as a médio prazo, abre uma janela de oportunidade para o comércio de materiais de construção em 2026.

Até mesmo, estimulando o próprio Reforma Casa Brasil, lançado em novembro de 2025 e ainda abaixo das expectativas (em percepção de mercado, uma vez que não há dados oficiais de seu desempenho).

Aqui, acabamos de fechar um ciclo de 17 artigos, abordando pontos da jornada de compra dos consumidores de materiais de construção, iniciado no artigo Consumidores de materiais de construção associam seus lares à segurança, em 7 de janeiro passado.

Neste momento, estamos na primeira semana de uma outra pesquisa, com outros 1.020 consumidores de materiais de construção, com previsão de término em junho próximo, quando reiniciaremos um novo ciclo de artigos.

Nas próximas semanas, faremos recortes mais profundos, utilizando tanto as pesquisas próprias quanto as principais fontes de dados secundários brasileiras.  

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