Consumo de materiais de construção é impulsionado por consumidores de menor renda

Se o artigo anterior, 32% dos consumidores das lojas de bairro confiam nas indicações de produtos e 23,6% chamam o lojista pelo nome analisou um recorte do Painel Comportamental de Consumo de Materiais de Construção, neste artigo, voltaremos às investigações anuais contínuas, apresentando uma questão bastante sensível e difícil de mensurar: os gastos dos consumidores ao realizar obras e reformas residenciais.

Assim, perguntamos: “Sabemos que controlar os gastos numa obra/reforma é bastante complicado. Mas, mesmo que aproximadamente, por favor, quanto você estima ter gastado no total, incluindo os materiais de construção (desconsidere móveis e itens decorativos), mão de obra e outros serviços?”

Aprendemos, no decorrer dos anos, que deixar a pergunta sobre gastos aberta traz mais ruídos do que sinais. Assim, desde 2022, trabalhamos com faixas de gastos, elaborando posteriormente os gastos médios desses consumidores.

Vamos ao que interessa!

Considerando apenas a Pesquisa 2 | 2025, realizada em novembro do respectivo ano com 1.020 consumidores de materiais de construção que fizeram obras/reformas nos últimos 12 meses (detalhes nos rodapés dos gráficos), sempre em valores correntes (não deflacionados), os gastos médios foram de R$ 18.463,40.

Dessa maneira, ao compararmos a Pesquisa 2 | 2024, realizada em novembro do respectivo ano com outros 1.020 consumidores de materiais de construção que fizeram obras/reformas nos últimos 12 meses, os gastos médios foram de R$ 17.362,70, portanto, um crescimento de 6,3%.

Apenas para referência, no mesmo período comparativo, a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) indicou um crescimento nominal de 3% no faturamento do comércio de materiais de construção brasileiro.

No entanto, ao segmentarmos os resultados por classes sociais, a análise fica mais interessante.

Considerando apenas a classe A, os gastos médios na Pesquisa 2 | 2025 foram de R$ 56.463,20, ante R$ 74.550,20 na Pesquisa 2 | 2024, portanto, um decréscimo de 24,3%.

Considerando apenas a classe B, os gastos médios na Pesquisa 2 | 2025 foram de R$ 22.095,90, ante R$ 24.074,90 na Pesquisa 2 | 2024, portanto, um decréscimo de 8,2%.

Considerando apenas a classe C, os gastos médios na Pesquisa 2 | 2025 foram de R$ 14.230,80, ante R$ 10.371,10 na Pesquisa 2 | 2024, portanto, um crescimento de 37,2%.

É fácil concluir que na passagem de 2024 para 2025, percentualmente, o crescimento dos gastos médios com obras e reformas residenciais ocorreu apenas na classe C, inclusive estimulando o crescimento dos gastos médios totais.

Considerando esses dados, é possível correlacioná-los com a performance do mercado imobiliário, impulsionado, em 2025, pelos imóveis econômicos, indicando que as vendas de unidades residenciais novas, tanto quanto as de materiais de construção no comércio, foram impulsionadas pelos consumidores de menor renda.

No entanto, há uma outra questão de caráter estrutural que gostaríamos de deixar para reflexão: se, em 2025, os gastos médios totais foram de R$ 18.463,40, a classe A, mesmo decrescendo 24,3%, ao gastar R$ 56.463,20, gasta 205,8% acima da média; a classe B, mesmo decrescendo 8,2%, ao gastar R$ 22.095,90, gasta 19,7% acima da média, e, a classe C, mesmo crescendo 37,2%, ao gastar R$ 14.230,80, gasta 22,9% abaixo da média.

No próximo artigo, abordaremos outra questão bastante sensível e difícil de mensurar: divisão dos gastos das obras e reformas residenciais por produtos e serviços.

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