Mão de obra corresponde a 45% do total dos gastos nas obras residenciais

As questões relacionadas às transações econômicas ganham cada vez mais importância, até mesmo para que as empresas do segmento de materiais de construção protejam seus caixas, diante dos desajustes e incertezas causados pela volatilidade geopolítica e, no cenário interno, pela agenda econômica do governo.

Bem, esse é o gancho para seguirmos com as análises do Painel Comportamental de Consumo de Materiais de Construção, complementando o artigo anterior Consumo de materiais de construção é impulsionado por consumidores de menor renda, no qual dimensionamos os gastos dos consumidores com obras e reformas residenciais.

Seguindo a modelagem de mercado, o ponto agora analisado é sobre a participação dos serviços e dos produtos nesses gastos.

Vamos nos ater à Pesquisa 2 | 2025 (detalhes técnicos no rodapé dos gráficos), a mesma que serviu de referência para o artigo anterior já citado, na qual os gastos médios estimados, em valores correntes (não deflacionados), foram de R$ 18.463,70 (total classes A/B/C), sendo de R$ 56.463,20 na classe A, de R$ 22.095,90 na classe B, e de R$ 14.230,80 na classe C.

Assim, os entrevistados responderam à seguinte pergunta: “Você diria, mesmo que aproximadamente, marcando percentuais, quanto do gasto total com a obra/reforma foi com os produtos (materiais de construção) e quanto foi com a mão de obra (pedreiros, pintores, eletricistas etc.)? A soma deve dar 100%.”

Considerando o total de 1.020 consumidores que realizaram obras e reformas, o gasto médio com produtos (materiais de construção) foi de 59,8%, com maior incidência nos gastos de 50% do total (22,3%), seguido por 60% (19,9%).

Portanto, o gasto médio com a mão de obra (pedreiros, pintores, eletricistas etc.) foi de 40,2%, com maior incidência nos gastos de 50% do total (22,3%), seguido por 40% (19,9%).

Vemos que a maior incidência, justamente, ocorre nos gastos igualmente divididos entre a mão de obra e produtos, demonstrando o quanto as despesas com os executores, de fato, pesam no orçamento das obras e reformas. No entanto, na média, ainda assim, há percepção de que a maior parte desses gastos incide mesmo sobre os produtos.

Se considerarmos apenas os consumidores da classe A, o percentual de gastos com produtos cai para 55,1%, e com serviços sobe para 44,9%.

Já nas classes B/C a proporção é semelhante: cerca de 60% com produtos e 40% com serviços.

Essa investigação se insere dentro de um contexto de pesquisas realizadas há quatro anos, visando reduzir possíveis vieses de pesquisas isoladas, que podem captar distorções ou sazonalidades, e não padrões.

Dessa maneira, agora na média histórica de 2022 a 2025, se considerarmos apenas os consumidores da classe A, o percentual de gastos com produtos é de 52,9%, e com serviços é de 47,2%.

Já nas classes B/C a proporção novamente é semelhante: cerca de 55% com produtos e 45% com serviços.

Por fim, nos gastos totais das classes A/B/C da média histórica, 55,1% ocorreram com produtos (materiais de construção) e 44,9% com serviços (pedreiros, pintores, eletricistas etc.).

Baixar gráficos: artigo, indústria matcons e cimento

É importante essa dimensão para melhor elaboração de cenários em tempos mais voláteis.

Por exemplo, pode servir como base de cálculo dos possíveis impactos da linha de crédito direcionado de R$ 40 bilhões do programa Reforma Casa Brasil, considerando que aproximadamente 55% serão destinados às compras de materiais de construção no comércio e outros 45% à contratação de mão de obra.

Por enquanto, não há dados oficiais sobre o desempenho parcial do programa, mas há uma percepção dominante no mercado de que seus efeitos, por ora, estão muito abaixo das expectativas.

E isso remete à abertura do artigo, sobre os desajustes e incertezas causados pela agenda econômica do governo.

Ao menos oferecemos uma base para apoiar as iniciativas de proteção do caixa.

No próximo artigo, dimensionaremos o quanto das obras foram pagas com financiamento e o quanto foram pagas com recursos próprios. Esse tema ganhou ainda mais relevância, diante da repercussão na mídia e no governo do elevado endividamento e inadimplência dos consumidores.

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