Como esperado, em 2025 o comércio de materiais de construção brasileiro andou de lado, ou, numa linguagem mais elegante, “apresentou desempenho lateralizado”.
Com ou sem elegância, o comércio do segmento somente cresceu devido à inflação.
Porém, isso não é necessariamente ruim.
Vamos aos números, pois o demonstrado é muito mais confiável do que o dito.
Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), no comparativo acumulado ano 2025 com acumulado ano 2024, o comércio de materiais de construção decresceu, em volume de vendas (faturamento real/nominal deflacionado), 0,2%, e cresceu, nominalmente (faturamento percebido/volume de vendas), 2,4% (resultado ainda poderá ser ajustado em março, normalmente, minimamente para cima).
Dessa maneira, ainda segundo a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o decréscimo real de 0,2% ocorreu sobre uma base elevada de 4,8% (crescimento consolidado do comparativo acumulado ano 2024 com acumulado ano 2023), significando, no agregado, um resultado positivo de 4,6%.
Nominalmente, o crescimento de 2,4% ocorreu sobre uma base elevada de 4,9%, significando, no agregado, um resultado positivo de 7,4%.

Vamos agora olhar para a frente!
Projeções estatísticas elaboradas em parceria com a empresa especializada Best Forecast Marketing e Modelagem projetam para 2026, comparado com 2025, um decréscimo real de 3,1% e crescimento nominal de 0,7%, no faturamento do comércio de materiais de construção brasileiro (relatório completo poderá ser baixado no link).
No entanto, o rigor científico, mesmo apoiado em séries históricas robustas (PMC desde 2012) e modelos estatísticos consagrados (Holt-Winters Sazonal), não antevê nem pondera variáveis com potencial de alterar tendências.
Ou seja, uma bomba nuclear detonada por Putin ou uma bomba fiscal detonada por Lula pode reverter as tendências estatísticas.
Vamos nos concentrar apenas no segundo caso, já que segue em curso desde 2023.
Segundo estimativas e projeções apresentadas pelo BTG Pactual, os estímulos fiscais de somente oito programas (crédito consignado privado, isenção do Imposto de Renda, Gás e Luz do Povo, Reforma Casa Brasil, Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, novo modelo de crédito imobiliário e saque aniversário do FGTS) têm potencial de injetar R$ 88 bilhões na economia.
Como vemos, três dos programas impactam o segmento de materiais de construção; porém, somente o programa Reforma Casa Brasil poderá impactar diretamente o comércio do segmento.
Em cálculos Fundação de Dados, se concretizando as estimativas BTG Pactual, o impacto no comércio de materiais de construção poderá ser de R$ 7,6 bilhões, ou 55% do total liberado pela nova linha de crédito – outros 45% seriam destinados à mão de obra –, com potencial de elevar o faturamento real do comércio do segmento em aproximadamente 2,3%.

Baixar gráficos: relatório projeções, endividamento e inadimplência consumidor
Por ora, o programa lançado em novembro passado não foi percebido pelo varejo do segmento. No entanto, é comum um período de maturação em qualquer linha de crédito.
Em 2025, a elevada taxa básica de juros de fato desacelerou as vendas de bens duráveis para os lares, como materiais de construção e móveis, com eletrodomésticos se descolando e apresentando uma performance de vendas positiva.
Porém, mesmo com o início do ciclo de redução na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa Selic ainda permanecerá em patamar contracionista ao final do ano, com primeiros efeitos menos contracionistas somente no decorrer de 2027.
Ainda neste ano, projeta-se um mercado de trabalho aquecido, em situação, nacionalmente, de pleno emprego, porém mais próximo da taxa de desocupação de 6% do que de 5%, mantendo as disparidades por Unidades Federativas: estados como Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo, com taxas mais próximas de 3%, e estados como Piauí, Alagoas, Amapá, Bahia e Pernambuco, com taxas mais próximas de 9%.
Assim, considerando as eventuais perdas na massa salarial, os estímulos fiscais e creditícios, em especial o crédito direcionado do programa Reforma Casa Brasil, a despeito dos já elevados endividamento e inadimplência dos consumidores, serão fundamentais para minimizar ou neutralizar a tendência de retração do faturamento do comércio de materiais de construção.
Também nessa conta, deve-se considerar que, em um ano eleitoral, novos estímulos poderão surgir utilizando fundos – como o do Pré-sal, já utilizado no caso do Reforma Casa Brasil – e os bancos públicos.
Acrescentando arte à matemática, em um cenário realista (com viés otimista para o ano e pessimista para 2027), é provável que o comércio de materiais de construção, em faturamento real, ande de lado por mais um ano, com algum crescimento nominal, uma vez que o desaquecimento das vendas pressionará os preços para baixo.
Porém, como bem disse o ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, “quando uma empresa gasta mais do que fatura ela vai à falência. Quando o Estado o faz, ele lhe manda a conta” (em livre citação).
Nesse cenário, a conta será paga em 2027.
Na próxima semana, retomaremos as análises comportamentais de consumo, analisando, no contexto de uma série histórica de 2021 a 2025, quais são os principais meios utilizados pelos consumidores na fase de pesquisa do materiais de construção que seriam comprados para a obra.
Na próxima semana, retomaremos as análises comportamentais de consumo no contexto de uma série histórica de 2021 a 2025: quais são os principais meios utilizados pelos consumidores na fase de pesquisa dos materiais de construção que seriam comprados para a obra?
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