A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de ontem indicou, no comparativo janeiro de 2026 com janeiro de 2025, uma expressiva retração da venda real (deflacionada) no comércio de materiais de construção, de 2,3%, com crescimento nominal (inflacionado) de 0,6%.
Dessa maneira, o desempenho das vendas do segmento abriu o ano confirmando as projeções para 2026: retração real com algum crescimento nominal.
Reafirmamos, assim, a premissa do artigo Comércio de materiais de construção, com sorte, andará de lado por mais um ano, no qual consideramos que somente os efeitos do programa Reforma Casa Brasil, até o momento não percebidos, poderão reverter tal tendência.
A questão é que, independentemente dos efeitos da linha de crédito no segmento, todos os canais de venda, dos mais utilizados aos menos utilizados, serão impactados.
E, justamente a partir daqui, complementando o artigo anterior, Consumidores pesquisam materiais de construção combinando lojas físicas e virtuais; YouTube é a principal mídia social, perguntamos: “Agora vamos falar do local de compra dos materiais para a sua obra. Quais os tipos de lojas utilizados para comprar os materiais de construção para sua obra/reforma (somente utilização do tipo de loja, pode marcar independentemente do valor gasto, volume e número de itens comprados, podendo ser apenas uma só compra)?”
Na média histórica do Painel Comportamental de Consumo de Materiais de Construção, considerando pesquisas realizadas de 2022 a 2024, sempre em novembro dos respectivos anos (detalhes técnicos no rodapé do gráfico), as lojas de bairro (próximas das obras, pequenas, médias e multicategorias de produtos), com 57%, surgem como o canal mais utilizado.
Em seguida, ainda historicamente, os canais mais utilizados foram: lojas de tintas (47,7%) e home centers/lojas grandes (37,3%).
Um ano após, apenas na pesquisa mais recente (Pesquisa 2 | 2025), realizada em novembro, as lojas de bairro mantiveram o protagonismo, com 61%, seguidas pelas lojas de tintas (37,3%) e, em um pelotão tecnicamente empatado, depósitos de materiais básicos (que vendem somente areia, cimento, pedras, tijolos, telas, arames, vergalhões etc.), com 31%, sites/e-commerces (compra via internet), com 30,2%, e home centers/lojas grandes (30%).

Baixar gráficos: gráficos artigo, confiança e inadimplência consumidor
Como mencionado a partir do artigo Redução das obras residenciais impacta os mercados de móveis e decoração, na pesquisa de 2025, até mesmo como consequência da desaceleração econômica, as obras e reformas foram menores do que nos anos anteriores.
Sintomaticamente, a média de canais utilizados decresceu, passando de 3,4, na média histórica, para 2,6 na pesquisa mais recente.
Mesmo assim, entre os principais canais de venda, a utilização das lojas de bairro cresceu: de 57% na média histórica para 61% na Pesquisa 2 | 2025. Outro canal que cresceu foram os depósitos de materiais básicos (de 27,8% para 31%).
Por outro lado, as utilizações das lojas de tintas (de 47,7% para 37,3%) e dos home centers/lojas grandes (de 37,3% para 30%) decresceram. Na mesma linha, a utilização das lojas especializadas em revestimentos cerâmicos também decresceu (de 26,2% para 22,6%).
Por fim, a utilização dos sites/e-commerces (compra via internet) praticamente se manteve estável (de 31,1% para 30,2%).
Somente por estes dados, agora em termos puramente comportamentais – com toda subjetividade que isso implica –, podemos levantar a hipótese de que a desaceleração econômica alterou o peso das motivações para a realização das obras e reformas, aumentando a relevância da necessidade sobre o desejo.
Daí, talvez, a maior utilização de canais que representam melhor essa motivação, como as lojas de bairro e os depósitos de materiais básicos.
De maneira oposta, houve redução na utilização dos home centers, lojas de tintas e lojas de revestimentos cerâmicos, locais mais apropriados para a concretização dos desejos dos consumidores que reformam seus lares.
Quando a percepção do poder de compra piora, o crédito fica caro, o endividamento elevado e a confiança do consumidor oscilante, é natural que o desejável perca espaço para o necessário.
E, como já vimos nos primeiros dados da PMC, muito provavelmente esse será o perfil ascendente do comportamento dos consumidores de materiais de construção em 2026.
Em 2 de abril iniciaremos a fase de elaboração dos briefings e questionários da Pesquisa 1 | 2026, a ser realizada a partir de 4 de maio com 1.020 consumidores que realizaram obras/reformas residenciais no último ano. As empresas interessadas em inserir perguntas exclusivas e sigilosas poderão entrar em contato com a Fundação de Dados.









